Relator diz que não há razão para convocar Malan
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de maio de 1999
Por Liege Albuquerque e Freddy Krause 
Brasília, 09 (AE) - O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito da (CPI) do Sistema Financeiro, senador João Alberto Souza (PMDB-MA), afirmou hoje que a notícia de que o ministro da Fazenda, Pedro Malan, esteve na sede do Banco Central no dia em que foi decidido o socorro aos bancos Marka e FonteCindam não justifica sua convocação pela comissão. "O (senador Eduardo) Suplicy diz que o ministro esteve no Banco Central no mesmo dia em que foi determinado o socorro aos bancos Marka e FonteCindan, mas e daí?", questionou. "Isso não prova nada." Ele, no entanto, não descartou a possibilidade de Malan ser convocado por outra razão. "Não há a menor necessidade da ida do ministro, mas se aparecer um fato novo durante a semana poderemos mudar de idéia." Suplicy apresenta na terça-feira à CPI pedido de convocação do ministro.
Na terça-feira (11), será ouvido o depoimento do diretor de área externa do BC, Demosthenes Madureira Pinho Neto e, na quarta-feira (12), o ex-dono dos bancos Marka e FonteCindam Salvatore Cacciola e Luís Carlos Gonçalves.
Matérias veiculadas pela imprensa no final de semana informavam que Malan teria estado no Banco Central no dia 14, quando foi fechada a operação de socorro aos dois bancos. Segundo essas reportagens, o ministro da Fazenda teria participado das decisões. No sábado, Pedro Malan negou a notícia. "Na verdade, eu desafio a quem quer que seja a comparecer a uma acareação comigo, na qual tenha a coragem e a desfaçatez de dizer que teria participado de uma reunião comigo, na qual se tenham discutido, negociado ou aprovado as operações com os bancos Marka e Fonte Cindam", afirmou o ministro, em entrevista ao Jornal Nacional.
"Isto é uma mentira, uma leviandade e uma irresponsabilidade que me deixaram indignado", acrescentou Malan. Ele desmentiu que tenha sido convidado a depor na Polícia Federal, mas assegurou que, se for convidado, vai depor. E se for convocado para depor na CPI do Sistema Financeiro, como querem os partidos oposicionistas, também vai. O ministro insistiu em que não sabia das operações de socorro aos dois bancos, embora tenha passado no Banco Central toda a manhã do dia 14 de janeiro, data em que a operação foi feita. Mas ele assegurou que só tratou de política cambial.


