Brasília, 06 (AE) - O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário no Senado, Paulo Souto (PFL-BA), disse hoje que a liminar concedida pelo ministro Octávio Gallotti, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao vice-presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Distrito Federal, desembargador Asdrúbal Zola Vasquez Cruxên, não vai impedir a comissão de citá-lo nas investigações e nem de levá-las adiante.
"Lamento muito que um juiz se coloque nessa posição de intocabilidade", afirmou. "E que não contribua para esclarecer um caso de tamanha importância em que a sua participação foi fudamental."
Cruxên é acusado pelos advogados do adolescente Luiz Gustavo Nominato de ter comandado, quando era titular da Vara de àrfãos e Sucessões de Brasília, o esquema que dilapidou a herança deixada pelo pai dele, Washington Nominato. O relator frisou que, embora respeite a decisão de Gallotti, a considera estranha "porque não contribuirá em nada para a proposta de toda a Nação de tornar mais transparente as decisões do Judiciário". "Do ponto de vista ético, ele (Cruxên) é o grande prejudicado", constatou.
Cruxên foi um dos três juízes convocados para depor na próxima semana. Deles, apenas, o ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Rio José Maria de Mello Porto, acusado de inúmeras irregularidades durante a gestão no cargo, confirmou presença segunda-feira (09), às 15 horas. O juiz Luiz Beethoven Giffoni Ferreira, denunciado como um dos integrantes de um esquema de adoções ilegais de crianças, mandou um fax à CPI, dizendo que, como tem fórum privilegiado, quer ser ouvido em São Paulo, onde atua.
Para o senador Jefferson Pérez (PSDB-AM), a decisão do desembargador Cruxên de não depor não vai atrapalhar as investigçações. "Não me parece que o seu depoimento seja essencial", defendeu. "Com tudo o que já apuramos, temos elementos suficientes para enviar a denúncia ao Ministério Público (MP)." O senador José Eduardo Dutra (PT-SE) julga que o maior prejudicado pela liminar concedida por Gallotti será Cruxên. "Quando alguém se nega a comparecer ao Congresso para prestar explicações, é porque está com medo ou não tem como se defender das denúncias", afirmou.
O advogado de Luiz Gustavo, Ramiro Lateça de Almeida, entende que a decisão de Curxên de depor ou não "é irrelevante". Segundo ele, a pergunta que a opinião pública vai fazer é por que um juiz acusado de irregularidades se nega a depor.

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