Relator diz que advogado pode ser líder da quadrilha de Campinas
Brasília, 15 (AE) - A CPI do Narcotráfico obteve hoje importantes pistas de assassinatos de traficantes, roubo de cargas áreas e facilitação para libertação de presos ao promover a acareação entre o advogado Artur Eugênio Mathias, o traficante Aryzoli Trindade Sobrinho e o caminhoneiro Jorge Meres. Segundo o relator da comissão, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), a acareação demonstrou que o advogado pode ser um dos cabeças da quadrilha de Campinas, podendo liderar até o próprio empresário Willian Sozza, que está foragido. A mulher do advogado, Naara Cristina Vilares, teve o sigilo bancário, fiscal e telefônico pela comissão.
Sobrinho deu pistas para que a CPI possa desvendar o roubo de um carregamento de ouro que pertencia à Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). Segundo o traficante, um funcionário da ex-estatal teria fornecido dados relevantes para a ação da quadrilha. Ele também prestou informações sobre o assassinato de integrantes do grupo responsabilizando diretamente Mathias e William Sozza pela morte do traficante identificado apenas por Carlão em Corumbá. Durante a acareação, houve tumulto na sessão da comissão e o irmão do advogado Anníbal Mathias Filho acabou sendo detido e expulso da sala da CPI, acusado por Sobrinho de intimidá-lo na CPI.
"Na acareação, foi revelado que quem fechou o preço do carregamento de 130 quilos de cocaína no Rio Grande do Sul foi, na realidade, o advogado e não Willian Sozza", declarou Torgan. No depoimento, Meres disse que Mathias fez um acordo para a sua libertação e do traficante Antônio Magrão da 37ª Delegacia de Polícia de Campinas.
Em seu depoimento, que começou às 15h e terminou às 19h, Mathias usou como estratégia o argumento de que somente falaria em juízo. Ele se disse inocente e vítima de uma armação. "São infundadas todas as acusações contra mim", afirmou o advogado. Ele negou ter sido o autor da proposta de acordo para entregar os integrantes da quadrilha de Campinas quando a CPI foi a Campinas há cerca de um mês.
"Ao término da primeira parte de meu depoimento, Aderbal (Aderbal Cunha Bergo, presidente da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil em Campinas) me procurou e me disse que os deputados queriam fazer acordo", disse Mathias. Os integrantes da CPI decidiram pedir explicações de Bergo, por meio do conselho de ética da OAB.
A mulher do advogado teve o sigilo quebrado pelos parlamentares, porque ela teria forçado o contrabandista de carga roubada Adilson Federico Dias Luz a desistir de prestar depoimento contra seu marido.
Luz foi visto acompanhado por Naara e teria assinado um documento dizendo ter feito um acerto com a CPI para apresentar acusações contra Mathias.Por Gilse Guedes, Hugo Marques e Sônia Cristina Silva Atenção Editor: Correção no segundo parágrafo





