Belém - O relator Nacional para o Direito Humano ao Meio Ambiente, Jean Pierre Leroy, disse ontm que denunciará o Brasil à ONU (Organização das Nações Unidas) pelo que chamou de ''corrida clandestina do mogno'' no sudeste do Pará.
''A exploração predatória na região chamada Terra do Meio, no Pará, é avassaladora. Pelo ritmo da devastação, não restará mogno daqui 15 ou 20 anos'', disse o relator.
Leroy passou 12 dias ouvindo denúncias de moradores e índios nos municípios de Altamira, Porto de Moz e Anapu, no sudeste do Estado e chegou ontem a Belém. O documento será entregue em maio durante o encontro da ONU, em Genebra, na Suíça.
O relator disse ter ficado ''impressionado'' com o rastro deixado pela devastação da floresta e com o clima de medo das populações tradicionais. Madeireiras clandestinas extraem pelo menos três milhões de metros cúbicos de mogno por ano na região.
''No município de Anapu, por exemplo, não foi possível realizar audiência, pois os moradores estavam com medo dos madeireiros. É preciso uma intervenção urgente do poder público.''
Conhecido como ''ouro verde'', o metro cúbico de mogno beneficiado pode valer mais de US$ 1.600.
O relator denunciará também a devastação em áreas indígenas, a grilagem de terras, a garimpagem clandestina nos rios e as ameaças de morte sofridas por moradores.
Segundo Leroy, o relatório também será entregue à OEA (Organização dos Estados Americano), que funciona como um mecanismo de pressão contra os poderes públicos.
Leroy integra o projeto ''Relatores Nacionais em Direitos Humanos Econômicos, Sociais e Culturais'', que tem o apoio do Programa das Nações Unidas para o Voluntariado e da Secretaria dos Direitos Humanos.