Relator defende programa de recuperação do São Francisco
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quarta-feira, 09 de fevereiro de 2000
Por Lige Albuquerque 
Brasília, 09 (AE) - A necessidade de um programa de recuperação das águas do Rio São Francisco antes do estudo da viabilidade política do projeto foi defendida hoje, na primeira reunião do grupo de trabalho para discutir a transposição, pelo relator da comissão criada na semana passada, deputado Marcondes Gadelha (PFL-PB). "Mais importante e primordial do que ver se há ou não vazão para aguentar a transposição e quais os Estados que perdem e quais ganham é realizar um projeto de revitalização", declarou.
"É difícil para mim, como paraibano, que conheço o rio, pensar na transposição de um rio morto."
O projeto divide a opinião dos parlamentares. Os deputados do Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba defendem o projeto - ainda que haja os que levantam a necessidade de revitalização do rio antes da transposição. A obra leva água para estes Estados. Já os parlamentares da Bahia, Minas Gerais, Sergipe e Alagoas são contra o projeto.
Para os deputados contrários ao projeto - cuja voz mais influente é a do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) -, o rio não tem vazão (água) suficiente para fazer a transposição ser feita a tantos lugares. Há grupos que defendem também um projeto de transposição para o Rio Tocantins, que também corta alguns Estados nordestinos, enquanto o Rio São Francisco fosse revitalizado.
O secretário nacional de Infra-Estrutura Hídrica do Ministério da Integração Nacional, Rômulo Macedo, com mapas e gráficos, tentou convencer o relator de que, junto com os projetos da transposição, estão sendo desenvolvidos estudos para a revitalização do rio. Segundo Macedo, há estudos econômicos e ambientais sendo desenvolvidos pelo ministério, que devem ser concluídos em até dois meses.
"Pelo adiantamento dos trabalhos, porém, já podemos afirmar que a transposição não trará prejuízos a nenhum Estado nordestino." De acordo com o secretário, depois de concluídos, os estudos serão enviados para o crivo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Já o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, também presente à reunião do grupo de trabalho, preferiu emendar: "O projeto é de interesse nacional, não da Paraíba ou da Bahia, e, se não for entendido assim, não será possível sua execução e, em pouco mais de dois anos, o País vai começar a sentir a falta de água."
O grupo, que tem 76 parlamentares de todos os Estados do Nordeste, terá noventa dias para apresentar um texto com as soluções apontadas. Amanhã (10), será definido o roteiro dos trabalhos do grupo. As reuniões recomeçam no dia 22, depois da instalação do ano legislativo no Congresso.
A transposição das águas do São Francisco é uma das prioridades, ainda no papel, do Plano Plurianual de Investimentos (PPA), lançado em agosto pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. O projeto visa a desviar o curso do rio para áreas do semi-árido nordestino e deverá custar cerca de R$ 3 bilhões ao governo federal, de acordo com Bezerra.


