Brasília, 30 (AE) - O relator da CPI do Sistema Financeiro, senador João Alberto Sousa (PMDB-MA), defende que a CPI converse reservadamente com os cinco assessores do Banco Central que vão depor na próxima segunda e terça-feiras, por achar que é mais fácil conseguir informações num ambiente informal do que numa audiência pública. Os integrantes da CPI estão convencidos de que não conseguirão chegar ao desfecho dos episódios envolvendo o Banco Central em operações suspeitas com o mercado financeiro somente com depoimentos.
As principais informações, para os senadores, serão obtidas a partir do cruzamento de dados do sigilo bancário e telefônico das testemunhas com seus depoimentos. Por isso, o relator tem dado importância à alternativa de ouvir testemunhas em reuniões fechadas, longe dos flashes das máquinas fotográficas e das câmeras de TV.
No depoimento de quinta-feira à noite, a CPI tentou arrancar, do ex-sócio do ex-presidente do BC Francisco Lopes, Sérgio Luiz Bragança, informações mais proveitosas para as investigações. Depois de suspender a audiência pública que começou à tarde, os integrantes da CPI iniciaram uma reunião secreta com Bragança. Por 15 minutos, o ex-sócio de Lopes fechou-se no banheiro com seus advogados. Saiu de lá com ar mais tranquilo, o que levou os senadores a acreditar que ele estava "propenso" a falar mais do que já havia dito na audiência pública. Ele, no entanto, insistiu que estava orientado pelos seus advogados a não falar.
O comando da CPI do Sistema Financeiro acredita que poderá ser mais bem sucedido com os assessores do BC se adotar essa tática. Outra medida que deverá ser adotada pela CPI é a acareação entre testemunhas.

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