Brasília, 12 (AE) - O relator da CPI do Sistema Financeiro, senador João Alberto Sousa (PMDB-MA), vai esperar até quinta-feira pelos documentos sobre o sigilo bancário, fiscal e telefônico do ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes, de seu assessor na diretoria de Política Monetária Alexandre Pundek, e do ex-sócio de Lopes na empresa Macrométrica Sérgio Luiz Bragança para incluí-los em seu relatório preliminar sobre a operação do BC que favoreceu os Bancos Marka e FonteCindam. João Alberto vê indícios de irregularidades nos extratos bancários e telefônicos dos três nomes envolvidos nas investigações.
A CPI encontrou telefonemas entre Pundek e o dono do Marka, Salvatore Alberto Cacciola, nos dias das negociações entre o banqueiro e o BC. Identificou também telefonemas de Sérgio Bragança ao Hotel Saint Paul, em Brasília, nos dias 14 e 15 de janeiro, quando hospedaram-se lá Cacciola e Luiz Antônio Bragança - irmão de Sérgio -, empenhado em ajudar o banqueiro na negociação com o BC. O sigilo telefônico de Sérgio e de Rubem Novaes, outro intermediário de Cacciola nas negociações, apontou as contradições nos depoimentos que deram à CPI, quando negaram qualquer contato com Cacciola e Luiz Augusto.
O relator também aguarda o resultado das investigações sobre a movimentação bancária de Lopes. Ao Estado, João Alberto afirmou que a CPI está recebendo auxílio da Polícia Federal no rastreamento de contas de Lopes no exterior, a partir da descoberta de contatos telefônicos que Sérgio Bragança manteve na Suíça.
Mas o sub-relator que analisa o sigilo bancário, senador Eduardo Siqueira Campos (PFL-TO), disse que, até o momento, não foi detectada nenhuma irregularidade na movimentação bancária de Lopes. A movimentação bancária de Pundek, superior a R$ 200 mil durante o período investigado, conferem com suas declarações de renda. "Toda a movimentação está declarada e absolutamente normal", afirmou Siqueira.
A última versão do relatório preliminar, ao qual o Estado teve acesso, não faz referência à ligação de Lopes com a Macrométrica, evindenciada nas investigações da CPI. O relatõrio deixa para o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União a identificação dos responsáveis pela operação classificada como "atípica".

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