Relator da CPI dos Bancos afirma que remessa foi ilegal
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quinta-feira, 15 de abril de 1999
Por Cláudia Carneiro 
Brasília, 16 (AE) - O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos, senador João Alberto (PMDB-MA), disse estar convencido de que a remessa de US$ 15 milhões ao exterior feita pelo banqueiro Salvatore Cacciola, dono do Banco Marka, foi "absolutamente ilegal". "Nosso entendimento é completamente diferente do apresentado pelo Banco Central (BC) porque achamos ser abolutamente ilegal a remessa de dinheiro feita pelo banco Marka", sustentou Alberto.
Em depoimento à CPI ontem (15), o presidente do BC, Armínio Fraga, havia afirmado que o envio do dinheiro pelo Marka foi feito dentro das regras nacionais.
Alberto pretende encontrar-se com o dono do banco, Salvatore Cacciola, segunda-feira (19) - o banqueiro é aguardado pela Polícia Federal (PF) nesse dia para prestar depoimento -, e marcar o depoimento dele à CPI dos Bancos.
Apesar da firmeza do relator, outros senadores preferiram amenizar as impressões sobre a ilegalidade ou não da operação feita pelo Marka e acompanhada pelo BC. "Nós ainda não estudamos a questão, mas há um sentimento, e isto é claríssimo, de que esse dinheiro foi mandado para fora numa atitude de má-fé", opinou o senador Eduardo Siqueira Campos (PFL-TO). "Esta operação está sob suspeita", resumiu o vice-presidente da CPI, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF).
Em encontro com os integrantes da CPI, o ministro da Justiça, Renan Calheiros, acertou hoje que o ministério fará estudos para apurar como o dinheiro remetido pelo Marka ao paraíso fiscal de Bahamas, com destino final ao Marka Bank, poderá ser repatriado.
"Estamos verificando legalmente como podemos agilizar a repatriação desse dinheiro", afirmou Calheiros. Como segunda opção, Calheiros apontou a possibilidade de um acerto com o País destino do dinheiro para o preservar lá, enquanto seguem as investigações sobre o caso no Brasil.
A CPI decidiu hoje as datas dos depoimentos do ex-presidente do BC Francisco Lopes e do ex-diretor de Fiscalização Cláudio Mauch. Lopes será convidado a depor na segunda-feira, às 16 horas, e Mauch, na terça-feira (20), no mesmo horário. O depoimento de Lopes é considerado crucial pela comissão, uma vez que ele assumia o comando do BC no período da desvalorização cambial e durante todas as operações que resultaram em lucros enormes a instituições financeiras sob suspeitas de terem sido privilegiadas por informações vazadas do próprio BC.


