Relator considera provas insuficientes para condenar Lopes
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quinta-feira, 29 de abril de 1999
Por Ribamar Oliveira 
Brasília, 30 (AE) - O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos no Senado, João Alberto Souza (PMDB-MA), considera impossível condenar na Justiça o ex-presidente do Banco Central (BC) Francisco Lopes com os fatos levantados até agora nas investigações. "Estamos atrás de um fato concreto, daqueles que o suspeito não terá como contestar"
disse hoje Souza. "Precisamos de um Eriberto (Eriberto França
ex-motorista do ex-presidente Fernando Collor de Mello), mas também pode ser um piloto ou um genro, alguém que revele coisas."
Se esse fato concreto ou se essa pessoa não surgir, o relator da CPI teme que a CPI fique apenas em suspeitas. "Isso tudo vai ficar só na suspeita se não surgir alguém que fale", afirmou. Na análise feita por Souza, todos os fatos levantados até agora poderão ser questionados na Justiça por bons advogados que, embora também não acabem com as suspeitas existentes, saberão encontrar argumentos que livrem da Justiça o ex-presidente do BC, os irmãos Sérgio e Luiz Bragança e o economista Rubens Novaes.
Mesmo o US$ 1,675 milhão depositado no exterior e que seria de Chico Lopes, de acordo com bilhete assinado por Sérgio Bragança, pode ser questionado na Justiça, no entendimento de Souza. "O bilhete não foi sequer registrado em cartório", disse. Na opinião do relator, os advogados de Chico Lopes e de Sérgio Bragança podem dizer que o bilhete era apenas uma brincadeira entre dois amigos para iludir alguém e que o dinheiro não existe. "Como nós vamos provar que existe?", questionou.
Souza admitiu hoje que o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros e os dois filhos dele que operam no mercado financeiro poderão ser chamados a depor na CPI. O relator da CPI informou que recebeu de um senador, que não quis identificar, uma denúncia sobre operações feitas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), durante a gestão de Barros, e que envolveria duas corretoras da família do ex-ministro. "Algumas coisas precisam ser explicadas", disse, sem informar que coisas seriam essas. "Esse pessoal é muito inteligente, pois só ganha", disse.
O relator não disse os nomes das corretoras que estariam envolvidas em operações do BNDES que precisam ser explicadas. Os filhos de Barros são donos da corretora Link. Embora tenha admitido a possibilidade da convocação de Barros e dos filhos dele, Souza disse que o assunto ainda não foi discutido na CPI. "Isso é coisa para mais tarde", afirmou. O relator informou que, provavelmente, pedirá a prorrogação do prazo da CPI dos Bancos. Se a prorrogação não sair, a CPI encerrará os trabalhos em agosto. Souza disse hoje que vai pedir novas informações à Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e que a CPI dos Bancos vai contratar um especialista do mercado para os analisar. O relator vai analisar também os dados sobre os sigilos bancários que foram quebrados. Os documentos mandados pelo BC estão no cofre da CPI e serão submetidos a uma equipe de especialistas.


