Rio, 26 (AE) - O deputado federal Moroni Torgan (PFL-CE), relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, disse hoje que o braço-direito do ex-ditador do Suriname Desi Bouterse, condenado por tráfico internacional de drogas na Holanda, é embaixador do país no Brasil. Segundo ele, o embaixador Rubert Lawrence Christopher já foi convidado três vezes para depor na CPI, mas sequer respondeu. "Não podemos pressionar mais, para não causar problemas diplomáticos", afirmou Torgan.
Ele contou ainda que o filho de Bouterse também trabalharia na Embaixada do Suriname - mas teria sido mandado de volta ao seu país quando Christopher foi convidado pela CPI. "Bouterse é traficante, com mandado de prisão reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro: se puser os pés aqui, será preso", afirmou.
A comissão está apurando se há conexão entre o esquema de Bouterse e traficantes brasileiros. Um dos elos, segundo investigações da Polícia Federal, seria a quadrilha presa no fim de semana passado, liderada pelo empresário goiano Leonardo Dias Mendonça e formada pelos também empresários Pedro Misael Alves Ferreira e Antenor José Pedreira. Os pilotos Ivanilson Alves e Omar Anastácio completariam o bando.
Rota - De acordo com a PF, o Suriname passou a ser utilizado como rota ligando a Colômbia e o Brasil - de onde a cocaína seria enviada para a Europa e Estados Unidos. Esta semana, o superintendente da PF no Pará, Geraldo José Araújo, um dos coordenadores da operação que prendeu a quadrilha de Mendonça, foi convidado a depor na CPI. Os deputados querem detalhes da investigação. Segundo Torgan, o Suriname é, com a Colômbia, o maior responsável pelo refino de cocaína no mundo.
A reportagem procurou a Embaixada do Suriname em Brasília, mas não foi possível fazer contato com embaixador Rubert Lawrence Christopher.

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