Relações são superficiais e rasas, diz psicanalista
Londrina - Para o psicanalista Raymundo de Lima, docente do Departamento de Educação da Universidade Estadual de Maringá (UEM), em tempos em que várias pessoas deixaram de acreditar nas instituições religiosas e figuras da igreja, é normal que a família tenha um peso maior no índice de confiança. A queda em relação aos amigos, contudo, é preocupante, já que as relações de trabalho geralmente são impostas. "Existe um aumento do número de pessoas vivendo a solitude, sobretudo pelo fato de acreditarem que ninguém preenche ninguém. Mesmo que não sejam frustradas, as expectativas com relação ao outro já nascem céticas. Tudo isso torna as relações mais pulverizadas e superficiais", pontuou.
Entre os fatores que geram essa desconfiança, Lima elenca a tecnologia e a grande quantidade de pessoas para se relacionar, principalmente, nas cidades de médio e grande porte. "Faço uma analogia com a televisão. Décadas atrás tínhamos cerca de quatro canais e uma certa fidelização. Hoje, com a televisão a cabo, são inúmeras possibilidades; acabamos trocando os canais sem parar. O mesmo acontece com as relações: são trocas rasas."
O resultado, segundo ele, acaba sendo uma época marcada pelo "mal-estar". "Não é angústia, não é depressão. É o fato de ter, mas não estar satisfeito. Entre as consequências, está o distress, o estresse ruim."(M.T.)





