Há pouco tempo, a relações públicas Rebeca Alves, 28 anos, chegava a passar até 36 horas seguidas sem dormir. Rebeca trabalhava em uma financeira e era promoter de festas como casamentos e formaturas. ''Se a festa era sexta à noite, eu emendava um trabalho no outro, e muitas vezes quando a festa acabava só sobrava tempo para tomar banho e ir para a financeira'', revela, recordando-se das vezes em que não sobrava tempo nem para um pequeno cochilo.
O trabalho excessivo trouxe reflexos ao seu organismo. Ela começou a apresentar alguns problemas de saúde. ''Dormia mal, porque eu deitava mas a mente ainda estava ligada. Ganhei peso, minha resistência baixou e fiquei mais suscetível a resfriados'', relembra.
Um novo emprego, agora como operadora de crédito de uma grande rede bancária, conseguiu amenizar um pouco essa correria. Mas só um pouco. Rebeca passa o dia se deslocando entre 15 concessionárias e revendedoras de automóveis em Londrina, e geralmente não sobra tempo nem para almoçar. ''Sempre que posso, procuro manter uma alimentação saudável. Tomo um bom café da manhã e carrego barrinhas de cereal. Mas já aconteceu de eu parar para almoçar só às cinco da tarde'', relata a jovem, cuja demanda de trabalho é tão grande que frequentemente precisa levar trabalho para casa.
Em casa, ela se preocupa em dedicar um tempo aos pais, com quem mora, e ao noivo. E ainda se desdobra para conseguir acompanhar os preparativos para o casamento já marcado e para a reforma do apartamento onde o casal vai morar. ''Tento acompanhar, mas nem sempre é possível, às vezes deixo meu noivo esperando ou marco e não consigo comparecer. Mas ele entende que é o meu trabalho'', conta, acrescentando que o noivo encontra dificuldades até para conversar com ela ao telefone, porque seus dois telefones celulares estão sempre tocando.
Rebeca consegue reservar apenas seis horas diárias para o sono, e admite que nem sempre dorme tranquila. ''Costumo acordar no meio da noite me lembrando de um compromisso do dia seguinte, de algo que esqueci de fazer ou preocupada em organizar todos os afazeres do dia.'' Rebeca lamenta que o emprego atual não deixe mais tempo para o noivo (ela precisa trabalhar também nos finais de semana), mas pelo menos pode comemorar uma melhora em sua saúde.
A correria, porém, é motivo de preocupação quando ela pensa nos filhos que deseja ter futuramente. ''Com essa rotina é bastante complicado, mas tenho colegas de trabalho que conseguem, acho que é só aprender a conciliar as coisas'', avalia. Para tanto, Rebeca sabe que vai poder contar com o futuro marido. ''Ele gosta de cozinhar, e ajuda bastante nos afazeres domésticos'', revela. (Colaborou Adriana Ito)

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