Rejeitado no PR, Borelli volta a Brasília
Durou menos de 17 horas a permanência de Marcelo Moacir Borelli no Paraná. O assaltante voltou para a carceragem da superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília na tarde de ontem. O retorno do assaltante foi determinado pela Justiça Federal, depois que o juiz da Corregedoria de Presídios do Paraná, Roberto Massaro, não aceitou a presença dele no sistema penitenciário do Estado. Massaro considerou inconveniente a vinda de Borelli tanto para o sistema quanto para a segurança do assaltante.
Borelli decolou às 13 horas do Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Ele foi levado no mesmo avião da Força Aérea Brasileira (FAB) e com a mesma escolta que o trouxeram de Brasília na noite de quinta-feira. Lá o assaltante vai receber o mesmo tratamento dispensado ao traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Segundo a assessoria de imprensa da PF, Borelli ficará em uma cela isolada. Mesmo os banhos de sol serão solitários. O assaltante não entrará em contato com nenhum outro detento da carceragem.
O repentino retorno de Borelli a Brasília supreendeu a juíza do Fórum de São José dos Pinhais, Marcelise Weber Lorite, que esperava ouvi-lo em audiência na tarde de ontem sobre a acusação de tortura a uma criança (ver texto ao lado). Já tentei ouvi-lo por diversas vezes e fui impedida. Hoje seria ideal, pois não haveria custos para o Estado e Borelli teria a segurança necessária, comentou a juíza.
O promotor Francisco Zanicotti entende que não há mais necessidade de esperar o depoimento de Borelli para encerrar o processo. Ele já teve oportunidades até demais para ser ouvido e não é melhor do que qualquer outro réu para ter tratamento especial, disse. De acordo com o juiz federal da 1ª Vara Criminal de Curitiba, Marcelo Malucelli, que determinou a volta de Borelli, nenhum pedido da juíza para ouvir o assaltante chegou até ele.
O advogado de defesa de Borelli, Júlio Militão, disse que seu cliente queria ser ouvido e foi levado para Brasília à revelia. Hoje foi a maior demonstração de arbítrio da Polícia Federal. Ele disse que vai mandar ofícios denunciando o caso à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Câmara e Senado.
O delegado-regional da PF, Ademir Gonçalves, afirmou que a polícia apenas cumpriu a lei. Borelli estava aqui na PF como um preso em trânsito, numa situação de emergência. Como ele não foi aceito pelo sistema penal, teve que retornar, afirmou.





