Belgrado, 12 (AE-REUTERS) - Rússia e Grécia informaram nesta sexta-feira (12) que a Iugoslávia rejeitava totalmente a presença de forças armadas estrangeiras em Kosovo, um pilar-chave da "última chance" das conversações de paz do Ocidente previstas para serem retomadas segunda-feira em Paris.
O descomprometimento de Belgrado colidiu com as esperanças ocidentais de que os ministros de Exterior dos dois países poderiam conseguir um acordo com o presidente Slobodan Milosevic no ponto no qual o enviado norte-americano Richard Holbrooke falhou.
"Belgrado rejeita decididamente a possibilidade da presença de policiais ou militares estrangeiros em Kosovo", informou a agência de notícias russa Itar-Tass citando palavras do ministro de Exterior Igor Ivanov ditas após sua reunião com Milosevic na capital iugoslava.
"O lado iugoslavo disse que não há necessidade de tropas de paz... A implementação pode ser melhor realizada com a extensão da atual missão de monitoração", disse o ministro de Exterior grego George Papandreou após o encontro com Milosevic.
Tanto Rússia quanto Grécia têm laços tradicionalmente amigáveis com a Sérvia, sua companheira cristã ortodoxa.
O abrupto "não" de Milosevic gerou um alerta de um funcionário do alto escalão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de que o governante iugoslavo não deveria subestimar a determinação da aliança para encerrar o conflito na província sérvia, onde continuavam os combates entre forças sérvias e guerrilheiros albaneses étnicos nesta sexta-feira.
"Há péssimos sinais de uma contínua progressão militar. Há operações militares contínuas", afirmou o funcionário.
Perguntado sobre se Milosevic estava agora considerando o risco de ataques aéreos da Otan uma ameaça irreal, ele disse: "Não deveria haver dúvidas sobre a capacidade da Otan e os meios para ativá-la."
Os aliados avisaram que não permitirão que Milosevic crie uma "catástrofe humanitária" em Kosovo lançando uma ofensiva contra guerrilheiros separatistas e kosovares albaneses civis.
Mas eles fizeram vistas grossas ao crescente número de violações do cessar-fogo e o excessivo deslocamento de soldados enquanto o processo diplomático ainda está em andamento, com a esperança de que Milosevic aceite, no fim, as forças da Otan.

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