Andirá – Enquanto a falta de vagas nos regimes fechado e semiaberto segue como um problema grave em todo o Estado, um prédio com carceragem para 78 internos permanece fechado três anos depois da inauguração em Andirá, no Norte Pioneiro. A construção, que custou R$ 700 mil e deve abrigar a delegacia da cidade, não pode ser usada por conta de erros no projeto arquitetônico. A estrutura chegou a ser repassada à Seju para a criação de uma unidade de semiaberto, mas após a recusa da população em audiência pública em março de 2012, foi devolvida à Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp).
Na mesma época, um prédio idêntico, inclusive com as mesmas fragilidades de segurança - muros baixos e celas sem acesso aos banheiros - foi construído na Lapa, na Região Metropolitana de Curitiba. Mesmo com rejeição inicial da população, o projeto de semiaberto foi adotado. Um ano e meio após a inauguração, o receio dos moradores, de que um "presídio" levaria violência para a cidade, não se concretizou. Quem garante é o comandante da 1ª Companhia Independente da Polícia Militar na Lapa, major Hélio José Hornung.
Segundo ele, a movimentação de familiares de detentos de outras regiões chamou a atenção no início, porém a criminalidade não aumentou. "Existia a apreensão da chegada de presos de fora em um município pequeno (47 mil habitantes) como o nosso, mas não houve qualquer alteração da paz social após a instalação do semiaberto no município", conta. No entanto, apesar da tranquilidade, para ele o ideal seria que as unidades absorvessem apenas a demanda regional. "O semiaberto tem que atender presos da região. Quando recebe muita gente de fora, pode acarretar em problemas", opina.
A diretora do Centro de Regime Semiaberto da Lapa, Iriane Seomara Dittrich, informa que 70% dos presos na unidade são da cidade. "Como sobram vagas, uma parcela é preenchida com pessoas de outras regiões", explica. Ela conta que chegou a ser hostilizada na cidade, mas provou "que o sistema funciona". "No começo houve muita rejeição, me acusavam de ser uma moradora conivente com a promoção da insegurança na cidade. Mas promovemos a integração dos presos com a comunidade, nas igrejas, e conseguimos a aceitação", comemora.
Todos os 63 presos trabalham, estudam ou fazem cursos profissionalizantes. Segundo Iriane, o sucesso para a ressocialização é tratar o preso com respeito. "Gentileza gera gentileza. Saudamos com bom dia, tratamos o preso pelo nome. Isso garante o respeito necessário para a ressocialização. E está dando certo. Já participei de várias formaturas de cursos técnicos de nossos internos", celebra.
Em situação bem diferente, o prédio de Andirá permanece fechado, sofrendo com a ação do tempo. Uma reforma recente reforçou a segurança com trilhos de ferro, mas ainda não há condições para abrigar os cerca de 60 presos da cidade. O custo da reforma não foi divulgado.
A assessoria da Polícia Civil informou que, por dificuldades financeiras do Estado, não há previsão para a inauguração do prédio. Pelo menos três prazos anteriores haviam sido cravados pela Polícia Civil, mas nenhum se cumpriu.(C.F.)

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