Reivindicações e homenagens no Dia da Mulher
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sexta-feira, 08 de março de 2002
France Presse 
Paris - Como em todo ano, reivindicações, homenagens e manifestações marcaram ontem no mundo o Dia Internacional da Mulher, que desta vez teve como eixos principais a vulnerabilidade das mulheres nos conflitos e a situação no Afeganistão. Em Genebra, várias agências da ONU e a Cruz Vermelha destacaram o papel essencial das mulheres na sociedade e sua vulnerabilidade em tempos de crise.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Alto Comissionado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) lembraram que 75% dos refugiados são mulheres e crianças, particularmente expostas às consequências dos conflitos armados.
Por sua vez, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) pediu maior participação das mulheres nos programas humanitários que as envolvem, para evitar os riscos de exploração sexual.
Paralelamente, relatores especiais da ONU sobre os direitos da mulher na América Latina, na África e sobre a violência contra as mulheres, fizeram um apelo comum para pedir a todos os países que ainda não o fizeram que ratifiquem os tratados internacionais destinados à proteção da mulher.
A Unicef lembrou que a cada minuto uma mulher morre no mundo durante a gravidez ao dar à luz.
A alta comissionada da ONU para os direitos do homem, Mary Robinson, comemorou o Dia da Mulher em Cabul em companhia de mulheres afegãs, às quais prestou homenagem e para as quais pediu proteção.
Reunidas em Paris por ocasião do Dia da Mulher, várias ONGs denunciaram que o estupro é utilizado cada vez mais como arma estratégica de guerra destinada a humilhar e aterrorizar, e cujos efeitos desastrosos são duradouros.
Na França, o presidente Jacques Chirac pediu que a candidata à presidência da Colômbia, Ingrid Betancourt, sequestrada pela guerrilha, seja libertada o mais rápido possível. Chirac prestou homenagem à valentia dessas mulheres que no mundo, desde a Birmânia à Colômbia, lutam por suas convicções, pela democracia.
Na Polônia, as feministas comemoraram o Dia da Mulher intensificando seu combate a favor do direito ao aborto, e se manifestando sob o lema Minha vida, minha escolha.
Na Romênia, milhares de mulheres se aglomeraram diante dos escritórios da agência de emprego de todo o país, na expectativa de obter um dos 20.539 postos de trabalho propostos por ocasião do Dia da Mulher, que o ministro do trabalho qualificou de regalo para as mulheres desempregadas.
Na Rússia, o presidente Vladimir Putin lamentou a discriminação feminina na vida política de seu país. O nível de liberdade e o desenvolvimento democrático de uma sociedade pode ser medido pela posição ocupada pelas mulheres e nós temos muitos problemas nesse domínio, disse.
Na República Centro-Africana, 5.000 mulheres se manifestaram na capiral, Bangui, para pedir maior mobilização na luta contra a aids, enfermidade que faz estragos no continente.
Por sua vez, as mulheres de Níger optaram por se manifestar para denunciar a inércia do governo na luta contra a pedofilia e os estupros e lhe exigir que enfrente esses crimes odiosos.
Diante da Assembléia Nacional de Niamey, a capital, as manifestantes nigerianas reclamaram que se aplique a lei com todo o rigor aos estupradores.
Em Túnis, as tunisianas e as diplomatas credenciadas no país se reuniram no centro das Nações Unidas e expressaram sua solidariedade para com as mulheres afegãs e palestinas, e recordaram que os direitos da mulher são parte integrante dos direitos humanos universais.
Finalmente, as mulheres da China, elevadas ao estatuto de metade do céu por Mao Tse-tung, pagam as consequências do retorno aos valores tradicionais que se registra no país e que as incita a ficar em suas casas, segundo várias pesquisas publicadas ontem pela imprensa chinesa.


