Rio, 11 (AE) - Greves e luta por reposições salariais voltaram a fazer parte do dia-a-dia dos brasileiros nos últimos meses. Hoje os trabalhadores da fábrica da Volkswagen em Resende (RJ) cruzaram os braços em protesto contra a decisão da companhia de não atender a proposta de reajuste salarial de 5% mais a inflação registrada nos últimos 12 meses.
No final de julho, os caminhoneiros paralisaram as estradas nacionais pedindo melhores condições de trabalho. O sucesso do movimento levou o Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro a não descartar uma greve nas negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
As conversas já começaram a acaloradas, com a Fenaban suspendendo todas as negociações isoladas entre as instituições financeiros e seus funcionários. "Até mesmo reinvindações específicas de alguns bancos foram interrompidas", reclamou a presidente do sindicato, Fernanda Carísio.
Mas não se espera uma nova onda de greves no país. O economista da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio) e especialista em economia do trabalho, José Márcio Camargo, explicou que a taxa de desemprego no País está em um nível muito elevado, diminuindo o poder de barganha dos sindicatos brasileiros.
A posição de Camargo é reforçada por um estudo feito pela Confederação Nacional das Indústria (CNI) mostrando que apenas 32% das negociações salariais acompanhadas pelo órgão pedem reposições acima da variação dos índices de preços no período. O temor do desemprego e a recessão foram os principais fatores que levaram os sindicatos a deixar de lado a briga por reajustes maiores nas últimas discussões salariais.
Carmargo destacou que os salários reais dos trabalhadores brasileiros caíram de 4% a 5% desde novembro do ano passado. Segundo ele, essa perda não deve ser reposta no curto prazo. "A desaceleração econômica não comporta reajustes salariais grandes", explicou. Entretanto, Camargo alertou que se o País voltar a crescer a taxas elevadas, a inflação tende a rondar a pauta de reinvindações dos trabalhadores.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Volta Redonda, Carlos Perrut, alegou que o custo de vida subiu muito nos últimos meses, tornando impossível aceitar qualquer acordo que não contemple uma reposição acima da inflação no período. "Vamos ouvir os argumentos da Volkswagen, mas nossa intenção é brigar pela atual proposta".
Os trabalhadores da montadora fazem amanhã (12) uma nova assembléia para discutir se permanecem em greve ou aceitam uma contra proposta da Volkswagen. Perrut afirmou que a empresa deixou de cumprir acordos anteriores, que garantiriam planos de cargos e salários, atendimento odontológico e cursos supletivos de ensino fundamental e médio.

mockup