"Não acredito que o objetivo dos estudantes seja causar prejuízo à UEL", afirmou a reitora Berenice Jordão
"Não acredito que o objetivo dos estudantes seja causar prejuízo à UEL", afirmou a reitora Berenice Jordão | Foto: Fábio Alcover



A reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Berenice Quinzani Jordão, reiterou nesta quarta-feira (9) a intenção de buscar a solução das ocupações por estudantes na instituição por meio do diálogo . "Nós queremos que haja a reintegração de posse, mas não pela via jurídica, e sim pelo diálogo", ressaltou a reitora. "Não acredito que o objetivo dos estudantes seja causar prejuízo à UEL, mas eles ainda não devem estar cientes do grau de responsabilidade que isso envolve. Enquanto isso estou buscando o entendimento", expôs.
O movimento está se expandindo na UEL. Estão ocupadas a maior parte das dependências do Centro de Educação, Comunicação e Artes (Ceca), a emissora de rádio UEL FM e a reitoria. Alunos do curso de Letras divulgaram na manhã desta quarta (9) a adesão à greve estudantil.
Berenice informa que um documento foi entregue à presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) na segunda-feira (7) com respostas à pauta de reivindicações do movimento estudantil e que, após a entrega, houve contato dos alunos por meio do aplicativo WhatsApp. A reitora solicitou acesso à Procuradoria Jurídica, já que existem prazos processuais que podem ser perdidos em função da ocupação. "Os alunos afirmaram que não poderiam responder porque deveriam realizar uma reunião antes para avaliar o pedido", apontou.
A reitora ressalta que serão afetados processos trabalhistas e reembolso de viagens, entre outros procedimentos. Até mesmo pedidos de formatura antecipada feitos por pessoas que estão participando de processos seletivos estão parados porque a reitora não pode despachar, uma vez que o carimbo para assinar documentos está dentro do gabinete ocupado.
No documento enviado aos estudantes, a reitoria relata que a Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais aprovou uma manifestação pública em que se posiciona contra a PEC 55, que congela os gastos e investimentos públicos, e MP 746, que trata da reforma do ensino médio.
Sobre o pedido de manutenção das cotas raciais, a reitora explica que o sistema tem vigência por cinco anos, contados a partir de 2013, conforme resolução aprovada pelo Conselho Universitário e que depois desse prazo o sistema dever ser reavaliado.

DESLIGAMENTO
Outro pedido dos estudantes é a revisão do desligamento de uma estudante da Moradia Estudantil. A solicitação será encaminhada para apreciação do Conselho de Administração, em grau de recurso. O vice-reitor Ludoviko Carnasciali dos Santos ressalta que não foi a UEL que iniciou o pedido de desligamento, mas que a medida foi tomada após pedidos de alunos que vivem no espaço. "Recentemente recebemos um documento com uma pauta de reivindicações dos moradores da Moradia Estudantil, que inclui desde questões de expansão e aquisição de mobiliário, mas o pedido de retorno da estudante desligada não consta nesse documento", afirmou o vice-reitor. O documento enviado ao DCE ressalta que, a pedido da reitoria, foi aprovada uma emenda ao orçamento da União para 2017 no valor de R$ 300 mil para a assistência estudantil, contemplando a renovação do mobiliário e de computadores da moradia.
Em relação à participação dos estudantes na gestão da Moradia Estudantil, a reitoria alega que os regimentos foram elaborados com participação dos moradores e que um eventual aprimoramento poderá ser discutido nos conselhos superiores da UEL. Acerca da manutenção do passe livre, Berenice se comprometeu a "estar ao lado dos estudantes no momento oportuno que o assunto for debatido".
Os estudantes reclamam ainda do sucateamento da universidade e pelo repasse integral do custeio da UEL pelo governo do Estado, ponto que também é defendido pela reitoria.

NOVO CALENDÁRIO
A Câmara de Graduação decidiu na manhã desta quarta-feira (9) enviar ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) um indicativo a favor da suspensão do calendário acadêmico durante a greve dos estudantes. Com isso, o calendário aprovado no começo do ano não está mais em vigor e um novo deve ser definido na próxima reunião do Cepe.

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