Os cinco reitores e sete dirigentes das instituições públicas de ensino superior (IES) do Paraná enviaram um documento ontem, à Assembléia Legislativa do Estado, no qual pedem que o projeto de lei que prevê a unificação do vestibular das IES seja retirado da pauta. A proposta, feita pelo deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), mobilizou os representantes das universidades, que se reuniram ontem, em Curitiba, para discutir a questão.
''A comunidade universitária sequer foi consultada e o legislador que propôs não considerou que cada instituição tem um calendário e organização próprios'', afirmou o reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Wilmar Marçal. Ele argumentou que o projeto fere a autonomia das universidades públicas, que é prevista em legislação federal e estadual, além de se mostrar como uma ação segregacionista.
''Particularmente, acho que esta proposta favorece a (Universidade) Federal do Paraná, as faculdades particulares e exclui os candidatos do interior do Estado, que teriam apenas uma opção de universidade ou faculdade pública para cursar''. Segundo destacou, a decisão de protestar contra o projeto de lei foi unânime entre os dirigentes e um documento foi enviado aos 54 parlamentares. ''Esperamos que eles sensibilizem o deputado para retirar o projeto da pauta''.
O projeto de lei apresentado, na semana passada, pelo líder do Governo na Assembléia Legislativa, deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), propõe a unificação das datas dos vestibulares nas universidades e faculdades públicas estaduais do Paraná. O entendimento do deputado é que, dessa forma, a maior parte das vagas seja destinada aos estudantes das regiões onde as instituições estão sediadas. A proposta ainda se encontra em apreciação pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
''O sistema atual é injusto, pois garante a maior parte das vagas para os estudantes oriundos de famílias de renda mais elevada, que, além de terminar o ensino médio, em geral, nos melhores colégios, ainda, podem arcar com as despesas de locomoção e hospedagem em diferentes cidades'', descreveu Romanelli em sua justificativa. Para o deputado, a medida evitará, também, que os grandes centros de ensino médio nacional e, mesmo, redes nacionais de ''cursinhos'' passem a monopolizar o acesso ao ensino superior público.
Romanelli argumentou, ainda, que a unificação dos exames vai preservar e valorizar as culturas regionais e locais. ''As universidades tenderão a se voltar para as realidades sócio-culturais que as envolvem. Nesse mesmo sentido deverá, ainda, levar os formandos a exercer sua profissão em sua região e comprometer a universidade, através de seus professores e alunos, com a solução dos problemas locais e da comunidade'', complementou.(Colaborou Andréa Lombardo)

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