Os reitores apostam na suspensão da greve dos professores universitários na próxima semana, caso a proposta de gratificações do governo seja aprovada no Congresso. Ontem, o presidente da Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), José Ivonildo do Rego, disse que os reitores estão orientados a não enviar ao Ministério da Educação listas com a informação sobre professores e funcionários que não aderiram à greve.
O MEC cobra a lista para liberar o pagamento nas Universidades. A Associação Nacional dos Docentes planeja entrar com uma representação contra o governo para conseguir a liberação dos salários de maio, retida pelo ministério. Com a recusa dos reitores em enviar listas detalhadas com os nomes de quem não participa da greve, professores e servidores que mantiveram as atividades foram prejudicados.
Na quarta-feira, o ministro disse que estava pronto para liberar os salários de quem não entrou em greve e novamente pediu aos reitores a informação diferenciada sobre seus funcionários. Segundo o presidente da Andifes, contudo, fazer essa separação nas listas de pessoal levaria dias. ‘‘Acho que a medida pode ser até inócua, dado que o Congresso analisará, na semana que vem, a proposta do governo’’, disse Ivonildo do Rego. ‘‘Além do mais, a questão de dias parados é sempre tratada ao final da greve, quando se discute a reposição das aulas.’’
O vice-presidente da Andes e integrante do comando de greve dos professores, Fernando Pires, acusou o governo de desrespeitar a autonomia da universidade, ao reter o valor do pagamento. ‘‘Vamos entrar no Ministério Público com uma representação pedindo que o MEC seja obrigado a liberar o dinheiro para as universidades’’, explicou. O comando de greve aguarda o resultado de um pedido de audiência com o ministro Paulo Renato, que prometeu divulgar ontem a avaliação do governo sobre a contraproposta dos professores, de reajustes salariais diferenciados. Na segunda-feira, provavelmente, o comando de greve terá encontros com parlamentares para a discutir tramitação da proposta do governo no Congresso.
Hoje, alguns dos professores voluntários para a greve de fome marcada para segunda-feira fazem os últimos exames médicos e psicológicos no hospital da Universidade de Brasília. A Andes espera que pelo menos 25 professores de todo o Brasil participem do protesto contra a retenção dos pagamentos de maio. No início da semana, 36 professores se ofereceram como voluntários, mas nem todos poderão participar do protesto, por falta de condições. Os professores em greve de fome deverão ficar instalados na própria UnB, com permanente assistência por parte de médicos e psicólogos, também voluntários.

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