Rio, 03 (AE) - Representantes de algumas das principais universidade públicas do Rio são contra a reserva de vagas no ensino superior para alunos da rede pública do ensino fundamental, conforme propõe o Projeto de Lei 298/99, aprovado ontem no Senado. O projeto, agora, seguirá para a Câmara dos Deputados. O sub-reitor de Graduação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Paulo Fábio Salgueiro, acredita que, caso aprovada, a medida não trará benefícios à população e pode até gerar discriminação nas universidades. Segundo Salgueiro, os parlamentares deveriam defender, no lugar da reserva de vagas, a melhor distribuição de recursos para o ensino fundamental.
"É uma medida para tampar o sol com a peneira, porque eles deveriam se preocupar com a situação precária do ensino público do País", disse. "E tenho receio de que essa medida venha a gerar discriminação, criando guetos nas universidade, no sentido contrário do que se pretende". O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), José Henrique Vilhena, classificou o projeto de "inadmissível". "Com essa medida, pretende-se passar a imagem de que o problema do ensino no País está resolvido, mas, pelo contrário, estará mais prejudicado", afirmou. Segundo ele, os parlamentares deveriam estar preocupados com a melhoria do ensino fundamental.
"Com o ingresso obrigatório de alunos mal formados, a universidade terá de refazer seus critérios de ensino e a sociedade brasileira terá de pagar duas vezes pelo mesmo serviço". A pró-reitora de Assuntos Acadêmicos da Universidade Federal Fluminense (UFF), Esther Hermes Luck, apresentou dados indicando que os alunos provenientes de escolas públicas representam 35% dos aprovados no último vestibular. "Essa é uma medida que fere a autonomia da universidade", acredita. Dos 50 mil alunos da universidade, 15 mil vieram de escolas públicas.

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