Reitores criticam cortes e decidem cobrar FHC
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quarta-feira, 11 de novembro de 1998
Clarissa Thomé Especial para a AE 
Reitores de nove universidades voltadas para pesquisa, reunidos em Belo Horizonte, discutiram ontem, durante um encontro, os cortes orçamentários na Educação. Eles vão enviar um documento ao presidente Fernando Henrique Cardoso na tentativa de demonstrar que cortes no setor não são garantias de um futuro promissor para o País. É um contra-senso do governo realizar cortes para fugir da crise, quando deveria investir na Educação, justamente para evitar outra situação como a atual, disse o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), José Henrique Vilhena. Francamente, eu não tenho onde cortar, disse. Vilhena defendeu aumento de recursos para as áreas de Educação e Ciência e Tecnologia, que têm cortes para o orçamento de 1999 previstos em 12,3% e 18,7%.
O diretor da Coordenadoria de Programas de Pós- Graduação em Pesquisa (Coppe-UFRJ), Segen Stefen, classificou a situação como muito preocupante. Ele teme problemas para o custeio e manutenção das pesquisas nas universidades. O conselho de coordenadoria do Coppe também redigiu nota, criticando os cortes e o que Setefen chamou de indefinição. Temos de selecionar novos projetos ainda este mês e ainda não sabemos como seremos afetados, afirmou o diretor.
O reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Cícero Mauro Rodrigues Filho, que toma posse hoje, já definiu que a área afetada pelos cortes será a de custeio da instituição. Vamos ter de economizar em material permanente, de consumo, em pagamento de serviços de limpeza, em energia, em água, no básico, calcula Rodrigues. Para ele, o momento é de usar a criatividade: Vou procurar fazer parcerias, buscar recursos na iniciativa privada.
A alternativa é rejeitada por Vilhena. Em todo o mundo universidades de excelência financiadas pelo Estado, das mais diversas formas, é que geram desenvolvimento acelerado, disse. A Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propp-UFF) oferece 371 bolsas de incentivo à iniciação científica.
Um dos projetos ameaçados é o estudo da Ecologia Química no Litoral Brasileiro, da Pós-Graduação em Biologia Marinha. Diversas substâncias químicas jamais encontradas foram identificadas em algas e invertebrados e podem ser usadas na fabricação de remédios. O grupo de pesquisa da UFF, único a explorar este ramo no País, aguarda financiamento para isolar as substâncias ou o projeto corre o risco de naufragar. Estou convencido de que a privatização das universidades não vai se dar por decreto, mas sim por essa asfixia progressiva que vem sendo promovida, sentenciou o diretor do Propp, Edmundo Antônio Soares.


