Reitora repudia classificação de alunos da UEL como black blocs
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terça-feira, 05 de maio de 2015
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Londrina A reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Berenice Quinzani Jordão, repudiou as declarações do secretário de Estado da Segurança Pública (Sesp), Fernando Francischini, que associou imagens de estudantes e de professores da UEL a "grupos radicais" e black blocs que teriam participado do protesto realizado há uma semana em Curitiba. As manifestações em frente à Assembleia Legislativa do Paraná eram contrárias à aprovação do projeto de lei que alterou a Paranaprevidência e deixaram mais de 200 servidores feridos.
Após reunião com estudantes que aparecem nas imagens e representantes do sindicato dos professores da UEL (Sindiprol/ Aduel), a reitora da universidade conversou com representantes da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e pediu o apoio de deputados da Assembleia Legislativa para que a ação da Polícia Militar seja investigada. "Não vamos admitir que as imagens de estudantes e docentes da universidade sejam veiculadas de maneira imprópria associando-os a grupos radicais como se eles estivessem de alguma maneira armados com equipamentos, instrumentos ou produtos que viessem a levá-los a qualquer responsabilização sobre os atos de violência praticados e vistos por todo o País", ressaltou Berenice. Uma reunião com o Conselho Universitário foi convocada para analisar quais medidas jurídicas ou administrativas poderão ser adotadas.
A reitora da UEL reforçou que alunos e professores apenas representavam a comunidade acadêmica e não pertenciam a grupos radicais. "Nós que trabalhamos dentro da área da educação usamos as ideias, usamos as palavras, usamos o diálogo para resolver ou propor novas situações, resolver conflitos e buscar soluções. Imaginávamos que pudesse ser difícil o diálogo dentro do contexto que se apresentava, mas nunca imaginávamos que pudéssemos chegar a uma situação de confronto com tanta truculência e violência como o que se apresentou diante de um grupo de pessoas que representam a educação. É um dia que ficou marcado negativamente na história do Paraná e do Brasil", lamentou Berenice.
PÓ BRANCO
Uma das imagens divulgadas pelo secretário Fernando Francischini mostrou manifestantes que misturavam um pó branco a um líquido que estava dentro de garrafas plásticas. Conforme o secretário, a polícia acredita que os itens poderiam ser bombas caseiras produzidas com cal.
No entanto, um dos diretores do sindicato que representa os professores da UEL (Sindiprol/Aduel), Sinival Osório Pitaguari, afirmou que professores e estudantes misturaram leite de magnésia em água para reduzir os efeitos do gás lacrimogênio e do spray de pimenta utilizados pelos policiais. "O leite de magnésia foi comprado em farmácias próximas e misturado nas garrafas de água. Foi a única solução rápida encontrada no local, já que o conflito havia começado", explicou. O sindicato pede a colaboração dos manifestantes para reunir informações, fotos e imagens do conflito e pedir providências.


