Rio, 10 (AE) - O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), José Henrique Vilhena, acredita que serão necessárias mais seis semanas de discussão para que o governo envie o projeto de autonomia das universidade federais ao Congresso Nacional. "Da forma como está o projeto, não daria para atingir a meta principal, que é ampliação do sistema universitário", disse Vilhena, que participou da reunião de ontem(9) em que o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, anunciou que havia desistido de enviar o texto ao Legislativo esta semana, como fora estabelecido.
"Nenhuma proposta é perfeita, e espero que a gente consiga estabelecer bases sólidas para a autonomia dentro de cinco ou seis semanas", avalia o reitor. "Dizer que estou contra ou a favor do projeto só empobrece o debate, porque o importante é que o governo está aberto a sugestões e modificações."
Para Vilhena, a autonomia universitária deverá garantir, como principal objetivo, o aumento do número de alunos e o desenvolvimento da produção científica. "Com um bom projeto, poderemos libertar nossas amarras, mas, para isso, será preciso substituir os pontos em que as colocações não são claras, que podem ser um entrave para o crescimento das universidades."
O reitor da UFRJ - maior universidade federal do País - defende um projeto de autonomia que possibilite a criação de novos cursos e de diferentes modalidades de formação. "Não é possível ficar com apenas 7,7% dos jovens de 20 a 24 anos nas universidades", diz.
Lucro - Vilhena recebeu hoje a visita do governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL), que veio ao Rio para apresentar um projeto do governo paranaense de financiamento de programas de desenvolvimento científico e tecnológico.
Segundo Lerner, a concessão, pelo governo federal, dos direitos de prestação de serviços de inspeção técnica veicular pode gerar lucro de R$ 60 milhões aos cofres do Estado, recurso que seria aplicado exclusivamente no setor de Ciência e Tecnologia. O governador do Paraná acredita que, no País, esse valor possa chegar a R$ 1 bilhão. "Não tenho nada contra a participação da iniciativa privada nessa questão, mas não podemos perder essa oportunidade", disse Lerner, que pediu o apoio do reitor e da comunidade científica para seu projeto. Desde 1998, a responsabilidade pela administração dos serviços de inspeção é do governo Federal, segundo resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

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