Imagem ilustrativa da imagem Reitor da UFRJ e diretor do Museu Nacional responsabilizam governo federal
| Foto: Tânia Rego/Agência Brasil



O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Roberto Leher, e o diretor do Museu Nacional, Alex Kellner, ao acompanhar o trabalho de rescaldo dos bombeiros no prédio nesta segunda-feira, 3, responsabilizaram o governo federal pela falta de recursos para a instituição. Eles disseram que a partir de 2015 foi desenvolvido um projeto de recuperação estrutural do edifício histórico, mas a liberação do dinheiro - cerca de R$ 21 milhões, do BNDES - só saiu este ano. O museu foi destruído por um incêndio domingo, 2.

"Todos sabíamos que o prédio estava em condições vulneráveis. Eram necessárias intervenções sistêmicas", disse Leher. "O Brasil precisa avaliar para onde estamos caminhando. Não existe nenhuma linha de financiamento dos ministérios da Educação e Cultura para prédios históricos tombados pelo patrimônio histórico. Sofremos queda brutal de orçamento, de R$ 140 milhões no custeio nos últimos quatro anos. É necessário que o governo federal olhe para o Brasil. Precisaremos de recursos importantes para recuperar o museu. No orçamento de 2019 a sociedade brasileira vai aferir se vamos ter ações objetivas ou se vamos sofrer até a próxima tragédia. Queremos compartilhar nossas lágrimas e nossa indignação."

O reitor disse que em 2015 foi colocada a necessidade de um novo sistema de prevenção de incêndios. Ao comentar se o acidente foi uma tragédia anunciada, afirmou: "Era um cenário muito provável. Prédios tombados precisam de recursos significativos, que nossos museus não têm. Sem dinheiro, todo o patrimônio público museal corre riscos".

Do projeto de 2015 constava a necessidade de recomposição do telhado e de "patologias estruturais". O sistema elétrico, no entanto, não estava em más condições, disseram o reitor e o diretor. Alex Kellner afirmou que seria leviano apontar o que se perdeu e o que se salvou, uma vez que sua entrada no prédio não foi liberada.

À entrada do museu, é possível ver apenas o meteorito de Bendegó. Outros meteoritos já foram retirados. O diretor também não quis estimar qual a percentagem do museu que foi queimada. Um levantamento ainda será feito. Ele preferiu não conjecturar sobre a causa do incêndio. Kellner afirmou que não há registro de ocorrência de balões na história do museu.

mockup