Curitiba - O Colégio Eleitoral da Universidade Federal do Paraná (UFPR) homologou ontem a lista tríplice que será enviada ao Ministério da Educação (MEC) para que seja escolhido o novo reitor. Por 41 votos dos 49 conselheiros presentes, o atual reitor Carlos Moreira Júnior foi escolhido para encabeçar a lista, que deve ser homologada em abril. O processo eleitoral na UFPR foi marcado por denúncias de abuso da máquina contra Moreira Júnior e confronto com os estudantes.
As denúncias contra Moreira Júnior foram protocoladas pelo segundo colocado, Francisco de Assis Marques. Ao saber que o Colégio Eleitoral iria homologar o resultado antes do resultado da comissão de sindicância montada para apurar as denúncias feitas por ele, Assis Marques decidiu retirar sua chapa da votação.
A reunião do Colégio Eleitoral teve que ser realizada no Hospital das Clínicas, uma vez que a sala utilizada para reuniões dos conselhos universitários está ocupada por estudantes que protestam contra a homologação da lista tríplice. Cerca de 40 estudantes estão acampados na sala e no pátio da reitoria desde a última sexta-feira.
Para o estudante de Direito Bruno Meirinho, a homologação da lista tríplice foi uma derrota política de Moreira Júnior. ''Como o MEC só vai indicar o reitor em abril, não havia necessidade do reitor atropelar tudo e todos para buscar a homologação agora. A homologação fora do local tradicional das reuniões mostra a tentativa desesperada do reitor de se legitimar. Mas para o movimento estudantil, ele não é o reitor eleito, e sim um interventor'', afirmou Meirinho.
Segundo Meirinho, os estudantes estão dispostos a deixar a reitoria caso tenham um compromisso do reitor de que não haverá retaliações. ''Infelizmente, a reitoria não está disposta a assinar esse acordo, e fala inclusive em entrar com um pedido de reintegração de posse. Mas iremos buscar nossos direitos até o final. Embora tenhamos nossas divergências com as políticas do MEC, sabemos que o ministério garante um mínimo de democracia, e tem uma resolução proibindo os reitores de punirem os alunos por atos políticos, o que é o nosso caso'', afirmou.

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