Curitiba – A Universidade Federal do Paraná (UFPR) informou ontem que quatro portas da reitoria, em Curitiba, foram violadas pelos estudantes durante os 17 dias de ocupação. O grupo de cerca de 150 alunos deixou o local no início da manhã, acompanhado de oficiais de Justiça, representantes da instituição e dos sindicatos dos professores (APUFPR-SSind) e dos técnicos (Sinditest). Eles fizeram a limpeza das salas e saíram carregando colchonetes, cobertores, mantimentos e sacos de lixo. Em nota, o comando de greve estudantil assegurou que o prédio foi entregue "em perfeito estado, sem vandalismos".
Conforme a administração, porém, antes da tomada da reitoria, no dia 31 de agosto, os funcionários trancaram todas as portas internas, sendo que os manifestantes conseguiam acessá-las. A porta do gabinete do reitor, Zaki Akel Sobrinho, que estava chaveada e trancada com uma tramela, teria sido arrombada. Ainda de acordo com a universidade, o mesmo aconteceu com a porta de acesso ao arquivo do gabinete, que guarda "documentos importantes", e com a porta da sala do Conselho Universitário. Outra porta da sala estava com um clipe de metal dentro da fechadura.
Em coletiva de imprensa, Zaki disse que os valores dos consertos estão sendo apurados e que os responsáveis serão responsabilizados. A UFPR verifica, ainda, se houve violação de equipamentos, como computadores. "Não podemos admitir a anarquia e nem o vandalismo cometidos por mascarados, que sitiaram e agrediram pessoas dentro da UFPR, que é mantida com dinheiro público e o sacrifício do povo brasileiro", afirmou. As possíveis punições incluem desde advertência até suspensão ou expulsão de servidores e alunos. O processo deve ser concluído entre 60 e 90 dias.
Por conta dos juros, a universidade colocou no rol de prejuízos causados à comunidade a suspensão no repasse de recursos destinados a quitar pelo menos 2.374 bolsas-permanência, totalizando R$ 1,4 milhão, e salários de colaboradores, fornecedores e prestadores de serviços terceirizados. Inicialmente previsto para ocorrer no dia 9 de setembro, o pagamento começou a ser efetuado ontem. Os estudantes, contudo, garantem que os atrasos já eram recorrentes e que foram inclusive um dos motivos para a ocupação – os cortes por parte do governo federal, acima de R$ 10 bilhões, impulsionaram movimentos semelhantes em todo o País.
O primeiro acordo entre as partes aconteceu anteontem, durante audiência de conciliação, na Justiça federal, marcada pelo juiz Augusto César Gonçalves. Antes, a reitoria havia entrado com pedido de reintegração de posse, que acabou não cumprido. Além de quitar os débitos em atraso, a instituição se comprometeu a elaborar um calendário de negociações. Entre os pontos discutidos estão a não criminalização do movimento, com abono de falta dos estudantes, e o funcionamento de ônibus intercampi no período da noite. Os alunos pedem também que os itens sejam apresentados por escrito.

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