Reitegração de posse deixa cem famílias na rua em SP
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sábado, 27 de novembro de 1999
por Alceu Luís Castilho 
São Paulo, 27 (AE) - Cem famílias ficaram sem casa hoje, após reintegração de posse em prédio na Rua Maria Paula, no centro, acompanhada pelo 3.º Batalhão de Policiamento de Choque (BPChoq) da Polícia Militar. Elas foram para a Rua Coronel Murça
ao lado da Estação Brás do metrô, onde iriam ficar na rua: móveis, adultos e crianças. "Vão ficar até o governo oferecer um lugar", disse o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto da Região Central, Hamilton Sílvio de Souza.
O prédio de 12 andares da Maria Paula, entre a Câmara e a Procuradoria-Geral do Município, estava ocupado desde 22 de setembro. Não houve tumulto na reintegração, mas alguns incidentes. Segundo o tenente-coronel Paes de Lira, comandante do 3.º BPChoq, foram arremessados de uma janela uma garrafa e um pedaço de vidro, que feriram superficialmente uma mulher. Além disso, homens contratados pelos sem-teto para a mudança teriam furtado documentos e até um televisor. Um deles, segundo Souza, foi preso no 1.º Distrito.
Vida cigana - As famílias invadiram o prédio, particular
sabendo que poderiam sair a qualquer momento. "A gente tem sempre medo de ocupar coisas que não são nossas, mas estava sendo despejada da pensão e meu marido está desempregado; não temos dinheiro para a comida, quanto mais para o aluguel", disse Maria Ester Irineu, carregando no colo um dos três filhos, de 1 ano e 4 meses. "É uma opção para ver se as autoridades fazem alguma coisa." As ocupações do grupo fazem parte de uma onda de invasões de prédios públicos e particulares ocorrida no centro nos últimos meses. Elas também são promovidas pela União dos Movimentos de Moradia (UMM) e pelo Sindicato dos Trabalhadores da Economia Informal.
Souza não esconde que a tática é manter as invasões e, após os despejos, pressionar o governo do Estado com a permanência das famílias na rua. Outro prédio ocupado na Avenida Brigadeiro Luís Antônio tem reintegração de posse marcada para o dia 14. Mais 500 pessoas serão despejadas.


