Santiago, 13 (AE-AP) - Embora tenha deixado o Reino Unido há 40 dias, o general Augusto Pinochet ainda não recebeu do governo britânico os US$ 833 mil que lhe são devidos por Londres para cobrir custas do processo a que teve de se submeter para evitar sua extradição para a Espanha.
O atraso no pagamento, determinado pelos tribunais ingleses, está atrasando o acerto de contas com o escritório de advogados britânicos que defendeu o ex-ditador, informaram hoje (13) à AP fontes da Fundação Augusto Pinochet.
Além das custas do processo, o Estado britânico teve outros gastos estimados em US$ 24 milhões com a custódia do general chileno, que passou 503 dias em Londres em prisão domiciliar.
Com 84 anos, Pinochet foi libertado em 2 de março por razões humanitárias: o governo britânico levou em consideração a deterioração de seu estado de saúde física e mental.
A mesma razão está sendo alegada agora no Chile por seus defensores, que tentam evitar que ele perca sua imunidade parlamentar como senador vitalício, o que o deixaria passível de julgamento.
O juiz que tem em mãos 80 processos judiciais contra Pinochet já solicitou que ele seja julgado.
No entanto, ao retornar ao Chile o ex-ditador foi submetido a novos exames médicos que teriam confirmado os "danos irreversíveis" sofrido por seu cérebro, e a lei chilena é clara: se ele for considerado demente, não poderá ser processado.
Enquanto isso, a situação judicial de Pinochet, que se encontra numa chácara de sua propriedade a 130 km de Santiago, continua pendente até a próxima quarta-feira, quando deveria ter início seu julgamento por violações aos direitos humanos.

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