Reino de Tonga entrará primeiro no novo milênio Do enviado especial RENAN ANTUNES DE OLIVEIRA
NUKUALOFA, Tonga (AE) - No Reino de Tonga, ninguém precisa esconder dobrinhas da barriga, papadas do pescoço e pés inchados para sentir-se elegante. O país é um paraíso para os gordos. Lá, a maioria da população tem excesso de peso. Mais: o povo gosta de exibir-se assim. Na cultura onde obesidade é sinônimo de beleza, o passatempo nacional é assistir ao acasalamento de baleias, no santuário ecológico da ilha de Haapai. O padrão tonganês de elegância foi estabelecido pelo rei Taufaahau Tupou IV, um robusto senhor de 180 quilos, certa vez citado no livro Guiness como o monarca mais gordo do planeta.
Tonga é Terceiro Mundo. Seu povo é pobre, mas vive alegre, de barriga bem cheia. O segredo econômico da nação é a farta produção de batata-doce e mandioca, dois carboidratos da pesada.
O reino ganha atenção extra este ano porque está sobre a linha internacional do tempo, no Pacífico Sul. Em 31 de dezembro
o rei irá de canoa ao nascente para ser o primeiro a ver o sol do milênio - todos os cuidados estão sendo tomados para que a embarcação não vire sob seu majestoso peso.
Em Tonga, piadas maldosas com os gordos não ofendem. Quando o rei, que já teve 260 quilos, foi obrigado pelos médicos a fazer um regime, seus marqueteiros notaram queda proporcional na simpatia popular. O homem voltou a comer bem e salvou a coroa.
Na capital Nukualofa, os gordos de rua são atração turística. Um figurão do pedaço vive esparramado na frente do supermercado local, de barba por fazer e sarongue amarrotado. É um monumento vivo ao dolce far niente, 164 quilos de banha e bom humor. Outro gordo de cartão postal é o Honorável Senhor Luani, o HS indica título da nobreza local. PhD em política pela Universidade da Califórnia, o Honorável deixou o Primeiro Mundo revoltado, quando, aos 174 quilos, virou alvo de gozação na faculdade.
"Ser gordo em Tonga é motivo de orgulho", declara HS Luani. De volta ao seu paraíso, ele comanda o Ministério do Turismo. Passa os dias atolado num escrivaninha - só sai de casa para o trabalho, do trabalho para o refeitório, do refeitório para casa.
A obesidade provoca felicidade também nos plebeus. Mulheres fofinhas oferecem-se às câmeras dos turistas. Os homens botam a barriga para fora o mais possível, para exibir-se. No carnaval deles, o festival Heilala, carros alegóricos levam cozinheiras como destaque e gordinhas como abre-alas. A miss, escolhida semana passada, tinha 74 quilos, para 1,63 metro - e belos dentes de ouro.
Uma pesquisa rápida nas ruas da capital demonstrou que os homens olhariam com prazer para Wilza Carla e desdém para Tiazinha. Num caso extremo de rejeição, uma turista australiana magricela foi vaiada sem piedade pela multidão, até entrar correndo numa confeitaria.





