Lucilia Okamura
De Londrina
O delegado do 3º distrito policial de Londrina, Jurandir Gonçalves André, indiciou ontem o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Renato Reinehr, pela morte do segurança José Lopes de Oliveira, em abril de 97, na Fazenda Borborema, em Tamarana. Reinehr prestou depoimento ontem de manhã na delegacia e negou todas as acusações.
O inquérito que apura a morte do segurança, conhecido por Django, já havia sido concluído e remetido à Justiça no ano passado. O nome de Reinehr não estava entre os 12 envolvidos no caso. O delegado resolveu tomar depoimento do sem-terra ontem por causa de acusações feitas por Eroni Michileski Ribeiro, ex-integrante do MST. No dia 28, em entrevista na sede da Sociedade Rural do Paraná, ela acusou Reinher de ser o autor do disparo contra Django. Eroni disse ainda que o MST foi o responsável pela morte do marido dela, João Cavalheiro Valessik, o Bugrão, em 17 de maio, na Fazenda Ingá, em Alvorada do Sul.
O depoimento de Reinher, que também é presidente da Cooperativa de Comercialização e Reforma Agrária União Camponesa (Tamarana), durou cerca de 40 minutos. ‘‘Obviamente neguei o crime, eu nem estava lá (na fazenda) quando aconteceu o assassinato’’, disse. Segundo o sem-terra, quando aconteceu a morte, ele estava na Fazenda Ingá. Sobre o fato de ter sido indiciado, ele afirmou estar tranquilo. ‘‘É o trabalho de delegado, mas tenho como provar que não estou envolvido no crime’’.
O delegado André explicou que resolveu pelo indiciamento de Reinher com base na acusação de Eroni. Hugo Francisco Gomes, da Rede Nacional Autônoma de Advogados Populares (Renap), acompanhou o depoimento do sem-terra e ressaltou que, apesar do indiciamento, não existe nenhuma prova material contra Reinher. Além de Gomes, estiveram na delegacia os advogados Gerson da Silva e Teresa Cofré, ambos da Renap.
Outro líder do MST, José Damasceno, também prestou depoimento ontem, mas não foi indiciado. ‘‘Ele também negou qualquer envolvimento’’, relatou o delegado. André disse que precisa tomar depoimentos de outras pessoas e requisitar novas perícias antes de concluir e inquérito e remetê-lo à Justiça. Caberá ao Ministério Público decidir pelo oferecimento ou não da denúncia contra Reinher.
Ainda no 3º distrito, Damasceno e Reinehr prestaram depoimento ao delegado Luiz Carlos Azevedo, de Bela Vista do Paraíso. Ele é o responsável pelas investigações sobre o caso de Bugrão, morto com nove tiros. Azevedo disse que, por enquanto, não é possível indiciar ninguém pelo crime. ‘‘Temos cerca de 10 suspeitos, todos sem-terra que tinham algum tipo de desentendimento com Bugrão’’, observou.
Reinehr reafirmou ontem que o MST não tem nenhum tipo de envolvimento na morte de Bugrão. ‘‘Somos contra a violência, nossa luta é pacífica’’, ressaltou. Damasceno afirmou que por trás das acusações estão a Sociedade Rural e o governo do Estado. ‘‘Eles querem derrotar politicamente o MST, que está provando para a sociedade que a reforma agrária dá certo’’.

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