Cardenas, 24 (AE-AP) - Na vila onde nasceu Elián González, é difícil conter a alegria por seu eventual regresso. Seus vizinhos querem dar-lhe as boas vindas sem muito alarde, mas demonstrando seu contentamento.
"Vamos tratar Elián como a qualquer outro menino deste país"
disse Reynaldo Sardinia, que vive a uma quadra da modesta casa onde o menino de seis anos foi criado.
Na escola Marcelo Salado, onde a carteira de Elián continua desocupada e se transformou quase num monumento nacional, a diretora Marybel Reyes Casas reuniu os 900 alunos para informar sobre o reencontro do menino com seu pai, Juan Miguel, no sábado.
Reyes lhes mostrou uma foto do menino sorrindo ao lado do pai, em Washington, comentando que Elián parecia mais feliz do que durante os meses em que viveu na casa dos familiares de Miami que tentam retê-lo nos Estados Unidos.
"Não são os mesmos olhos que vimos durante cinco meses", afirmou Reyes no pátio da escola.
O tema das conversas em todo o vilarejo de Cardenas continuava sendo a ação dos agentes federais para retirar Elián da casa dos parentes em Miami.
"O governo norte-americano deu um belo passo à frente", disse Graziela Díaz Milán, uma mulher de 71 anos que mora algumas casas adiante da residência dos González.
"E a (Janet) Reno também", acrescentou Milta Estévez, em alusão à atitude da secretária da Justiça dos Estados Unidos, que ordenou a remoção.
Quando começou a ser divulgada a notícia da operação, os vizinhos disseram que correram pelas ruas empoeiradas para comentar a novidade com os amigos. "Uma companheira ficou tão feliz que saiu (à rua) só de roupas íntimas", comentou Díaz, com o rabo do olho voltado para a amiga Lilia Rosa.
Estévez disse que ela e outros vizinhos correram até o sobrado de concreto dos avós de Elián. "O menino mandou beijos para todo o bairro."
O avô Gustavo Fernández, que ficou muitas vezes em casa durante as viagens da família a Havana, disse que conversou com o Elián e Juan Miguel no próprio sábado, e que seu neto parecia contente. "Este é o nosso Elián."
O presidente Fidel Castro pediu aos cubanos discrição no caso de um possível regresso do menino, dizendo que não quer que se repita em Cuba o clima vivido por Elián em Miami, rodeado a toda hora por jornalistas e manifestantes.
O presidente cubano diz não querer ter de dar explicações e desculpas a seus críticos em Miami, os quais asseguram que o governo cubano tirará proveito da imagem do menino, assim que Elián voltar. Os vizinhos garantem que acatarão o pedido.
Eles também se indignaram com os comentários dos ativistas anticastristas em Miami de que, uma vez em Cuba, Elián será submetido a lavagem cerebral e maus tratos.
"Por acaso em Miami não existe miséria?", perguntou Estévez. E Ojeda acrescentou: "Eu me sinto feliz vivendo em Cuba. Aqui há liberdade."

mockup