Uma operação de reimplante de dedos, considerada inédita em Londrina, foi realizada com sucesso pela equipe do especialista em cirurgia de mão e microcirurgia Edson Takaki, do Hospital Evangélico. O marceneiro Edvaldo Rodrigues, 28 anos, sofreu um acidente com uma serra do tipo seccionada na fábrica de móveis em que trabalha e decepou quatro dedos da mão esquerda e a extremidade do polegar. Auxiliado pelo médico Milton Maeda, a cirurgia chefiada por Takaki durou 18 horas, iniciada no dia 31 de janeiro, à noite, e finalizada no dia 1º de fevereiro, às 16 horas.
Edvaldo Rodrigues trabalha como marceneiro há 15 anos na Viveza Móveis, em Arapongas (a 37 Km a oeste de Londrina), e possui experiência no tipo de máquina em que operava. ‘‘Foi bobeira, uma distração’’, avalia. Recém-casado, a fatalidade não o desanimou e faz planos para o retorno ao trabalho.
Após o acidente, Edvaldo foi levado à Santa Casa e depois ao Hospital João de Freitas, ambos em Arapongas. Os médicos plantonistas do João Freitas informaram que seria necessário fechar o ferimento, pois o Hospital não possuía condições para reimplantar os dedos. Segundo a família do paciente, foi por insistência dos patrões do marceneiro que ele foi trazido para Londrina, onde foi possível a realização dos implantes. Uma das razões do sucesso da cirurgia foi a manutenção dos membros num saco plástico.
‘‘Comparo esse tipo de procedimento cirúrgico à montagem de um carro. Em primeiro lugar, reconstituiu-se a estrutura óssea, fixando os dedos com fio de aço. São dois fios de aço para cada osso seccionado’’, explica Takaki. Na parte seguinte, o médico sutura artérias, veias e nervos. A emenda pode ser realizada graças a um microscópio que possibilita ao médico visualizar a imagem 40 vezes maior que o real. O fio utilizado para sutura é 40 vezes mais fino que um milímetro. O especialista retirou uma veia do dorso do polegar para fazer a ponte em cada dedo atingido.
A preocupação do médico, nas primeiras horas, recai sobre o risco de infecção. ‘‘O paciente vai recuperar os movimentos. Mas precisará de cirurgias posteriores’’, informa. Mas, segundo suas previsões, o retorno ao trabalho será possível no prazo de um ano. A sessões de fisioterapias serão necessárias e o acompanhamento médico nesse caso será de cinco anos.
O objetivo da cirurgia de reconstrução da mão é o de restaurar a capacidade de pinçar objetos. Isso é possível quando há o polegar e um dos outros dedos. Em segundo lugar, é necessário restabelecer a capacidade de movimentação para fazer o movimento de pinça. E finalmente, a cirurgia de reconstrução da mão procura restaurar a sensibilidade para que o paciente volte a segurar e sentir objetos.
Em Londrina, foram realizadas mais de 100 reimplantes de membros. Esse procedimento cirúrgico é possível em hospitais estruturados com instrumental de microcirurgia, microscópio adequado, equipe treinada e UTI. Takaki informa que o Hospital Evangélico possui plantonistas com especialidade no traumatismo de mão.
Para uma cirurgia tão extenuante como a realizada em Edvaldo Rodrigues, Edson Takaki avalia que o corpo não tem preparo para tamanho desgaste físico. ‘‘O que faz o cérebro da gente ficar trabalhando sem sentir cansaço é Deus’’, avalia. Takaki possui especialização na área na Universidade de Tókio, no Japão. Depois do Hospital das Clínicas, de São Paulo, Londrina foi a primeira localidade do Brasil apta a realizar reimplantes de membros.

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