Reichstul se diz frustradíssimo
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terça-feira, 20 de março de 2001
Do Rio de Janeiro 
O presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, se disse frustradíssimo e de luto com o naufrágio da P-36, na manhã de ontem e que levou para o fundo do mar o corpo de nove funcionários e uma estrutura de US$ 500 milhões.
Questionado se os sucessivos acidentes que vêm ocorrendo em instalações da empresa provocaram algum tipo de constrangimento que o impedisse de continuar no cargo, Reichstul disse que não havia parado para pensar no assunto. Tenho tanta coisa a fazer agora que nem me coloquei essa questão, afirmou.
Além do naufrágio da P-36 ontem, a Petrobras vem enfrentando um desgaste em sua imagem por causa de grandes vazamentos de óleo. Em julho do ano passado, um vazamento na refinaria Presidente Getúlio Vargas, em Araucária (PR), despejou cerca de 4 milhões de litros de óleo na região.
Em janeiro do mesmo ano, uma falha em um dos dutos da refinaria de Duque de Caxias provocou um derramamento de 1,29 milhão de litros de óleo na baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. O último vazamento noticiado aconteceu em fevereiro deste ano também no Paraná, na região da Serra do Mar, quando o rompimento de um oleoduto derramou cerca de 50 mil litros na região.
O presidente da Petrobras informou que é impossível resgatar a plataforma, devido à profundidade de 1.360 metros no local em que ela afundou. Ele informou que, em 30 dias, a comissão que analisa as causas do acidente deve liberar um parecer. Uma perícia in loco fica muito difícil, mas vamos utilizar todos os recursos possíveis para descobrir o que aconteceu. Após a entrevista, Reichstul seguiu para Macaé, para se encontrar com a família das vítimas e acompanhar os trabalhos de contenção do óleo da plataforma submergida.
Convocação O presidente da Petrobras e o presidente da Agência Nacional de Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, deverão comparecer na próxima terça-feira à sessão conjunta da Comissão de Infra-estrutura, da de Assuntos Econômicos (CAE) e de Assuntos Sociais do Senado para debater o acidente na plataforma P-36.
O líder do PMDB, Renan Calheiros, considera de extrema importância que Reichstul seja ouvido o mais rapidamente possível. Não podemos permitir que a credibilidade da Petrobras afunde com a plantaforma P-36, disse Calheiros.
O Ministério Público do Trabalho da 1ª Região vai instaurar Inquérito Civil Público para investigar as causas do acidente, a segurança no trabalho na empresa e a terceirização nas plataformas.


