A Petrobras e a Federação Única dos Petroleiros (FUP) fecharam um acordo para que um sindicalista integre a comissão que investiga o acidente na plataforma P-36, no qual morreram 11 funcionários. Aconteceram três explosões a bordo no dia 15 e, no dia 20, a plataforma afundou, na Bacia de Campos. O anúncio foi feito ontem, no plenário do Senado, pelo presidente da companhia, Henri Philippe Reichstul, e confirmado pelo coordenador da FUP, Maurício França Rubem. O presidente da estatal anunciou também a contratação de uma consultoria, a norueguesa Det Norske Veritas (DNV), para acompanhar o processo de investigação das causas do acidente. O relatório final deve ficar pronto no dia 20 de abril, quando será marcada uma nova audiência com os senadores.
À tarde, Reichstul deu explicações ao deputados federais que das Comissões de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias e de Minas e Energia. Ele voltou a descartar que tenha ocorrido sabotagem e prometeu levar as apurações do desastre até o fim.
O presidente da estatal afirmou que nos últimos meses a empresa vem trabalhando para alcançar a excelência ambiental por causa dos dois acidentes ecológicos de grandes proporções ocorridos na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, e no Paraná. Por isso a empresa está investindo R$ 1,3 bilhão até 2003 em segurança operacional. E negou qualquer relação de causa e efeito entre os acidentes ecológicos e o naufrágio da P-36. Disse que na Bacia de Campos existem 42 plataformas de produção e exploração de petróleo e que o último acidente de proporções semelhantes ao do Campo de Roncador se deu na plataforma de Enchova, há 15 anos.
No debate com os senadores, Reichstul tentou desvincular o acidente e a terceirização de funcionários. O petroleiros apontam a falta de preparo dos terceirizados e a necessidade de mais investimentos em segurança. Segundo o presidente da estatal, os 11 operários que morreram integravam a brigada de incêndio e pertenciam aos quadros da estatal.
‘‘Para nós, o acidente com a P-36 é uma grande incógnita’’, disse.‘‘Morreram 11 pessoas e não havia nenhum funcionário terceirizado. Somente quando as investigações forem concluídas é que temos condições de uma avaliação mais profunda.’’
O presidente da Aepet, Fernando Siqueira, afirmou que a estatal vem passando pelo processo de reformulação dos negócios, que busca aumentar a produção de petróleo no País sem critérios de segurança, colocando em risco a vida dos operários.
Siqueira disse que este modelo de empresa foi ressuscitado pela atual diretoria da Petrobras e tem provocado medo nos empregados com cargos de gerência. Segundo o engenheiro, como os salários destes gerentes chegam a R$ 20 mil, estes profissionais buscam cumprir as determinações pois se vierem a perder as gratificações passarão a receber quatro vezes menos.
O depoimento do gerente-geral da Petrobras na Bacia de Campos, Carlos Eduardo Bellot, marcado para ontem, foi adiado para amanhã. Segundo a polícia, a empresa alegou que Bellot estaria viajando e que como os outros engenheiros não moram em Macaé, não havia dado tempo de notificá-los.

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