Rei momo magro vira escândalo na Bahia
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terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Paulo Leandro<br>Agência Estado 
Salvador - A estranha escolha de um rei momo magro vem ganhando proporções de um escândalo no Carnaval baiano e levando especialistas em estudos culturais a pedir a intervenção do grupo da moralidade administrativa do Ministério Público. É o caso do antropólogo Roberto Albergaria, que defende a revogação da indicação de Clarindo Silva, 58 quilos, por considerar o processo ''viciado'', incluindo um ''possível tráfico de influências''. Para Albergaria, a escolha de Clarindo atenta contra o patrimônio cultural. ''Um rei momo magro é tão esquisito quanto um Papai Noel sem barba branca, uma baiana de acarajé sem saia rendada'', comparou o antropólogo, que é professor da Universidade Federal da Bahia.
A direção da Associação dos Gordos e Obesos de Salvador (Asgobs) e o Ministério Público da Bahia enfrentam uma pesada dificuldade no Judiciário para derrubar o rei Momo magro, cuja polêmica se arrasta a quatro dias da abertura do Carnaval, prevista para a noite de quinta-feira, quando o monarca receberá do prefeito João Henrique (PDT) as chaves da cidade.
A causa está praticamente perdida, devido ao curto período até o início da folia, além da força do lobby pró-Clarindo, mas os gordinhos derrotados, que pesavam mais de 120 quilos, como previa o regulamento, ainda planejam uma última tentativa na Justiça para tentar derrubar do trono da folia o comerciante de 58 quilos.
Dirigida por Misael Tavares, ligado aos blocos de trios que dominam a economia da festa, a Empresa Municipal de Turismo (Emtursa) não se manifestou, deixando para a Federação Baiana dos Clubes Carnavalescos a missão de defender Clarindo.
Como vem sendo noticiado, os gordinhos derrotados sentem-se lesados com a súbita mudança de regulamento e a substituição do concurso em mera seleção por currículo, em uma ''decisão aleatória e arbitrária'', como salientou o Ministério Público.
A juíza substituta da 5 Vara de Fazenda Pública, Aidê Ouais, havia concedido liminar para revogar a vitória de Clarindo, mas o desembargador plantonista Paulo Furtado derrubou a decisão e o monarca voltou a ser o comerciante de 58 quilos.


