Washington, 04 (AE-REUTERS) - O transplante de medula a que se submeteu o rei Hussein, da Jordânia, esta semana, fracassou, e ele está à beira da morte, respirando com a ajuda de aparelhos, pois seus órgãos deixaram de funcionar.
O anúncio foi feito hoje (04) no começo da tarde por seu médico particular, tenente Samir Farraj, na Clínica Mayo, em Rochester, onde o monarca estava internado desde o dia 25 em tratamento contra câncer linfático.
Como não havia mais esperança de recuperação de Hussein, a família decidiu levá-lo imediatamente de volta a Jordânia, atendendo ao desejo manifestado por ele, quando estava ainda consciente, de morrer em seu país.
O jato particular transportando o monarca partiu do aeroporto de Rochester às 3h11 (horário local) e deve chegar amanhã a Amã, onde será conduzido de helicóptero a um hospital militar da cidade.
Hussein, de 63 anos, viaja em companhia de vários médicos, da mulher, a rainha Noor, e de cinco filhos - quatro deles do atual casamento.
Membros do governo e da família real estavam com receio de que o rei falecesse durante o trajeto. "Temos esperança de que ele conseguirá", comentou um ministro jordaniano que pediu para não ser identificado.
"Os médicos de Sua Majestade anunciaram que as condições dele se tornaram críticas porque seus órgãos internos deixaram de funcionar", informava o comunicado oficial dos médicos. Com base nesse quadro a família real decidiu voltar para Amã, acrescentava o informe.
"Seu corpo aparentemente recusou as células da medula tiradas de membros de sua família", comentou um alto oficial jordaniano.
Os médicos submeteram-no, então, a uma nova sessão de quimioterapia e a dois enxertos de medula. Ele deveria permanecer isolado e sob estrito acompanhamento médico por mais duas semanas.
O embaixador jordaniano nos Estados Unidos, Marwan Muasher, disse à Reuters que as condições do rei se deterioraram na quinta-feira, quando o monarca ainda estava consciente e pôde tomar a decisão de voltar à Jordânia e passar seus últimos dias com seu povo. "Ele quer morrer em seu país", explicou Muasher.
A TV estatal jordaniana não fez mênção ao estado crítico do rei. O telejornal informou apenas que o rei regressava, "por seu firme desejo".
A notícia causou grande comoção na Jordânia, pois há apenas duas semanas o monarca retornara ao país de um longo tratamento de seis meses nos Estados Unidos, declarando-se curado da doença.
Ele mesmo pilotara o Boeing que o levou de volta ao país e depois desfilou triunfantemente em carro aberto pela capital do país, Amã.
Dias depois, Hussein deu uma demonstração de que mantinha o firme comando do país ao tomar medidas duras sobre sua sucessão. O monarca destituiu seu irmão, príncipe Hassan, da função de príncipe regente e sucessor, designado pelo próprio Hussein 34 anos antes, quando ainda não tinha filhos.
Em seu lugar o monarca nomeou seu filho mais velho, príncipe Abdullah, de 37 anos, um militar com pouca experiência política.
Hussein é o governante há mais tempo no poder no Oriente Médio. Ele assumiu o trono em 1952, quando ainda era adolescente, e sobreviveu a várias tentativas de assassinato. Analistas políticos atribuem ao monarca a habilidade de ter mantido estável a Jordânia, país criado após a 2ª Guerra Mundial, e também o consideram uma figura-chave no processo de paz árabe-israelense.
Sua atitude de destituir o irmão e nomear o filho como herdeiro chocou os jordanianos e causou o temor de que após sua morte o país mergulhe em conflitos políticos.
Mas seus aliados, incluindo os Estados Unidos, manifestaram seu apoio ao príncipe Abdullah.

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