'Rei das Quentinhas' está preso na Polinter
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de agosto de 2000
Clarissa Thomé Agência Estado Do Rio de Janeiro 
O empresário Jair Coelho, o Rei das Quentinhas, chegou ontem ao Rio, depois de ter sido preso na noite de domingo em Belém do Pará. Coelho estava foragido desde o dia primeiro, quando teve a prisão preventiva novamente decretada pela Justiça. O empresário, de 68 anos, é acusado de usar documentos falsos em contratos com o Estado para fornecimento de 1,5 milhão de refeições a delegacias e presídios por mês. Entre 1992 e 31 de julho passado, Coelho teve o monopólio das quentinhas no Estado e teria arrecadado indevidamente R$ 93.237.047,00 entre os anos de 1995 e 1999.
O dono da Brasal chegou ao Rio escoltado pelo delegado-substituto da Polícia Interestadual (Polinter), Jáder Amaral. Ele foi preso em um posto de gasolina, a caminho do Hotel Hilton, onde havia reservado um quarto em nome de outra pessoa. Amaral e o detetive Luiz Mattos viajaram a Belém, na noite de sexta-feira, para checar a informação de que Coelho estava escondido na casa de amigos.
Eles tinham uma lista de sete locais onde o empresário poderia estar escondido, mas na terceira visita surpreenderam Coelho deixando uma casa, no bairro de Nazaré, e o seguiram até o posto de gasolina. O empresário não reagiu à prisão. Ele se mostrou surpreso, mas demonstrou tranquilidade, contou Amaral.
Coelho chegou à Polinter no momento em que era servido o almoço, por volta das 11 horas de ontem. O prato do dia, preparado por seus empregados, era ensopadinho de carne, arroz, feijão e angu. Para a sobremesa, laranja.
O diretor da Polinter, Álvaro Lins, determinou que Coelho fosse colocado em uma cela especial, temendo a reação dos presos, que costumam criticar a comida fornecida pela Brasal. Coelho está em uma cela com outros 12 detentos, acusados de crimes como estelionato e atraso na pensão alimentícia. São presos com menor periculosidade e ele não corre risco, afirmou Lins.
Por não ter curso superior, o empresário é considerado preso comum. Ele não tem direito à visita diária, alimentação fornecida pela família, assistência médica particular e ao banho de sol.
O Rei das Quentinhas responde a processo por formação de quadrilha, falsidade ideológica e uso de documento falso. Ele é acusado de superfaturar as refeições fornecidas aos presos, usar falsos Títulos da Dívida Agrária (TDAs) como garantia nos contratos que fechou com o Estado e registrar sua empresa no nome de três funcionárias, que também estão foragidas. Coelho nega as acusações e à Justiça contou que é apenas um assessor da empresa, com salário entre R$ 40 mil e R$ 48 mil.
O empresário teve a prisão preventiva decretada em 13 de julho, pela 11ª Vara Criminal. Mas, antes mesmo de o empresário se entregar, conseguiu liminar em um pedido de habeas- corpus. Desembargadores da 7ª Câmara Criminal negaram o habeas-corpus em primeiro de agosto, quando Coelho passou a ser considerado foragido. Um recurso de seus advogados, pedindo a suspenção da prisão preventiva, deve ser julgado hoje pelo Superior Tribunal de Justiça.
Ao mesmo tempo em que tem os negócios devassados pela Justiça, Coelho enfrenta uma crise familiar. A mulher dele, Ariadne, de 33 anos, foi acusada por uma ex-amiga de ter um caso com o procurador do atacante Ronaldinho, Alexandre Martins, de 45 anos. A briga incluiu grampos em telefones de emergentes da Barra da Tijuca, inquéritos na delegacia e até um suspeito atentado à Rainha das Quentinhas.


