Washington, 19 (AE) - O rei Abdullah da Jordânia só conheceu Ehud Barak há duas semanas, num almoço em Amã. Nesse breve encontro, o jovem monarca de 37 anos, que até fevereiro passado comandava as Forças Especiais jordanians, e o ex-general 20 anos mais velho, eleito anteontem primeiro-ministro de Israel, descobriram ter muito em comum.
"Gostei do homem e me pareceu ser muito centrado", disse hoje (19) Abdullah, referindo-se à sua conversa com Barak. "Acho que ele é o tipo de pessoa que levará Israel a uma nova fase de paz e estabilidade na região", acrescentou o rei, num encontro com especialistas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) de Washington e jornalistas.
Abdullah e Barak têm muito em comum, além do passado militar. Ambos terão pela frente o desafio de seguir os passos de dois líderes mundiais, admirados por seus esforços para lograr a paz no Oriente Médio: o rei Hussein da Jordânia, que morreu de câncer há três meses, e o ex-primeiro-ministro israelense, Yitzhak Rabin, assassinado em 1995.
"A vitória de Barak demonstra o compromisso do povo israelense para seguir adiante, e temos que fazer o maior esforço para apoiar nossos amigos em Israel e nossos irmãos palestinos" disse Abdullah. O rei também manifestou otimismo em relação à aproximação de Síria (país que visitou em abril) e Israel.
Apesar de sua confiança na retomada das negociações de paz entre Israel e seus vizinhos árabes - estancadas depois do assassinato do trabalhista Rabin e especialmente depois da posse de conservador Benjamin Netanyahu - Abdullah alertou para o perigo de um otimismo excessivo. "Se começamos a ter muitas expectativas e nada acontecer nos próximos quatro ou cinco meses, a frustração poderá gerar um retrocesso maior do que tivemos há alguns meses", disse.
A paz no Oriente Médio e a ajuda humanitária aos iraquianos, que estão sofrendo as consequências das ações militares e econômicas adotadas contra o regime do presidente Sadam Hussein, não foram as únicas preocupações de Abdullah, na sua primeira visita aos Estados Unidos, depois de sua coroação.
O jovem rei lembrou que até recentemente era um cidadão anônimo, que chegava a Washington "pulava num táxi e ia ao cinema". Desta vez, ele tentou ver um filme mas não conseguiu passar desapercebido. Foi levado ao centro da cidade num comboio de seis carros, precedido por batedores. "Eu queria colocar um paletó sobre a minha cabeça, de tanta vergonha", disse Abdullah, em seu perfeito inglês britânico.
O rei também veio pedir o perdão de metade (US$ 3,5 bilhões) de sua dívida externa. E obteve o apoio do presidente Bill Clinton, além da promessa de que intercederá a seu favor junto aos demais países credores.

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