Curitiba - De acordo com o reitor da Universidade Positivo (UP), José Pio Martins, com as novas regras do MEC, muitos alunos devem perder o acesso ao financiamento. Ele lembrou que o Fies é uma linha de crédito para os estudantes, e não um programa bancário, no qual o banco capta depósitos do público e os empresta aos clientes. A cada ano, a União libera um dado volume de financiamentos com as verbas recebidas dos estudantes que já estão pagando a dívida e mais os recursos novos aportados pelo Tesouro Nacional.
"A questão é que a União entrou em uma fase de austeridade fiscal em face do déficit público e resolveu reduzir os aportes a vários programas, um deles o Fies. Para diminuir o repasse do Tesouro Nacional ao Fies, o governo criou regras mais duras para liberação do dinheiro", explicou. Segundo ele, a mudança mais restritiva é a exigência de que somente estudantes que tenham atingido 450 pontos no Enem tenham acesso ao crédito. "Parte importante dos alunos não terá acesso ao Fies e muitos não poderão estudar em face da restrição financeira", lamentou.
Por outro lado, conforme a coordenadora de bolsas e financiamentos da PUC-PR, Daniele Ribaski, a pontuação mínima pode garantir mais qualidade acadêmica. "Para nós, da PUC-PR, não haverá diferença, porque os nossos alunos já entram com nota maior que a média nacional. O problema maior não é entrar no Fies. É continuar na universidade mantendo o rendimento acadêmico (superior a 75%). De dez disciplinas cursadas, ele (aluno) tem que ter a aprovação em oito. E quem tem um Enem igual ou maior que 450 pontos com certeza é estudioso, vai conseguir", argumentou.
Para a analista financeira Viviany Estevo da Silva, da Opet, o educando precisará se empenhar muito mais no Enem. "Vai aumentar a exigência para que esse aluno capriche, se dedique e seja muito mais comprometido. A gente sabe que essas mudanças são positivas, para melhorar a qualidade, mas todas as mudanças têm um ponto positivo e um negativo. Quem não conseguir, terá de administrar de uma outra forma", alertou.
Ela reiterou, contudo, que a Opet possui programas próprios de financiamento e de bolsas e que fará de tudo para atender à demanda. "O objetivo é que ele (aluno) fique, que tenha uma boa qualidade de ensino, entre no mercado de trabalho e dê conta daquilo que se propôs a fazer. No começo deve dificultar um pouco, mas todo mundo se ajusta." (M.F.R.)

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