Registro de Gêmeos recruta voluntários para pesquisas
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quarta-feira, 16 de novembro de 2016
Léo Rodrigues<br>Agência Brasil 
Belo Horizonte - O Registro Brasileiro de Gêmeos (RBG) é a aposta de pesquisadores para encontrar respostas sobre diversas doenças de forma mais barata do que os estudos com genoma. Pioneira na América Latina, a iniciativa surgiu em 2013 e acaba de dar um passo decisivo com o lançamento, este mês, do formulário online (http://www.gemeosbrasil.org/) para registro de voluntários. Podem se cadastrar gêmeos monozigóticos ou dizigóticos acima de 18 anos interessados em contribuir com a ciência.
De acordo com o pesquisador Vinícius Cunha Oliveira, um dos coordenadores do RBG, pesquisas com gêmeos em todo o mundo estão buscando respostas que estudos tradicionais ainda não encontraram sobre câncer, diabetes, tabagismo, alcoolismo, etc. "Para entender o funcionamento de muitas doenças, é importante identificar os fatores de risco ambiental e os fatores de risco genético. Isso pode ser feito através do mapeamento do genoma. Mas é um processo complicado e de custo elevado. As pesquisas utilizando gêmeos são mais baratas e podem oferecer muitas dessas respostas."
Para se cadastrar, o gêmeo precisará fornecer dados como nome, data de nascimento, sexo, filiação, endereço, telefone e e-mail. Os pesquisadores enviarão aos voluntários o link de um novo formulário para preenchimento de informações sobre estilo de vida, condições de saúde, medidas, consumo de medicamentos, entre outros. "O registro está disponível para pesquisadores interessados. Digamos que amanhã alguém nos procure querendo fazer uma pesquisa sobre diabetes; faremos contato para saber se eles querem participar. Não é porque os gêmeos se inscreveram uma vez que serão obrigados a participar de todas as pesquisas", acrescenta.
ORIGEM
Criado nas universidades federais de Minas Gerais (UFMG) e dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), o RBG surgiu a partir de uma parceria com o Registro Australiano de Gêmeos, que existe há mais de 30 anos e é um dos mais avançados do mundo. Os australianos possuem um cadastro com 80 mil gêmeos. Atualmente, há mais de 30 registros semelhantes, a maioria em países desenvolvidos como Alemanha, Estados Unidos, Noruega, Dinamarca, Itália e Japão.
No ano passado, parcerias com pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), da Universidade de São Paulo (USP) e de instituições de Santa Catarina permitiram ampliar o alcance do banco de dados. "Conforme a literatura científica, temos entre 1 e 2% da população mundial composta por gêmeos. Considerando que o Brasil tem cerca de 200 milhões de habitantes, podemos supor que entre 2 e 4 milhões são gêmeos."
O primeiro estudo desenvolvido no âmbito do RBG analisa fatores de risco ambiental da dor lombar. "Trata-se de um problema muito prevalente na população e os tratamentos funcionam até certo ponto. Não há uma cura. Fala-se em controlar os episódios e prevenir novos episódios. E para prevenir é preciso entender com mais profundidade os fatores de risco", explica um dos coordenadores do RBG. Os gêmeos que integram esta parte da pesquisa são acompanhados por um ano. "Nós podemos monitorar gêmeos monozigóticos, que possuem carga genética idêntica, sendo que um tem dor lombar e o outro não. Vamos supor que apenas um deles pratica atividade física. Então podemos verificar se o sedentarismo é um fator de risco."


