Registro de armas quadruplica no PR
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de outubro de 2005
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Muitos paranaenses que possuem armas de fogo estão procurando a Polícia Federal para registrar seus armamentos. Segundo números divulgados pela assessoria da Superintendência Regional da PF, em setembro 1.602 armas foram registradas no Paraná, número cerca de quatro vezes superior ao verificado em junho, quando 387 armamentos foram cadastrados no Estado.
Em julho, foram 1.002 registros, e em agosto, 1.438 cadastros. A assessoria da Superintendência Regional da PF alegou que este aumento não significa que houve um crescimento drástico da venda de armas no Paraná nos últimos meses. Grande parte dos registros federais computados recentemente seria para substituição de registros estaduais, anteriores ao Estatuto do Desarmamento e que têm prazo de validade até o final de 2006. Ou seja, de armas adquiridas antes da publicação do Estatuto, em 2003.
Entretanto, lojistas entrevistados pela Folha em Curitiba apontaram que a procura por novas armas e por munição tem aumentado nas últimas semanas, devido à proximidade do referendo em que a população irá decidir sobre a proibição ou não deste tipo de comércio. Cássio Pereira, proprietário de um estabelecimento, afirmou que as vendas em sua loja dobraram desde meados de setembro.
''A procura está aumentando em todo o Brasil. Pessoas de várias faixas etárias estão querendo adquirir armas e munição. As espingardas estão entre os armamentos mais vendidos. Os donos de chácaras estão horrorizados com a possibilidade de proibição do comércio de armas de fogo e munição'', disse Pereira, que anteriormente havia registrado uma grande queda nas vendas, decorrente do Estatuto do Desarmamento.
Um engenheiro entrevistado pela Folha, e que não quis se identificar, foi ontem à tarde a uma loja de armas em Curitiba para comprar munição. ''Tenho uma (pistola) 380. Hoje (ontem), comprei 40 projéteis. Quero comprar munição no Brasil enquanto eu posso. Se a proibição do comércio (de armas de fogo e de munição) for aprovada, vou ter que comprar (munição) no Paraguai'', afirmou.


