São Paulo, 12 (AE) - O primeiro caso de dengue hemorrágica do Estado de São Paulo foi confirmado hoje (11) pela Secretaria Estadual de Saúde. A vítima é uma menina de 13 anos moradora de Riolândia, na região de São José do Rio Preto. De acordo com o secretário José da Silva Guedes, os primeiros sintomas da doença surgiram no dia 3.
No dia 6, a menina foi internada, com hemorragia nasal e intestinal. A paciente precisou receber transfusão de sangue mas
segundo o último relatório médico, já está fora de perigo. Na cidade, há outros 159 casos ainda não confirmados de dengue.
Desde que a suspeita foi comunicada, uma equipe de combate à doença foi enviada ao local. Dos 166 quarteirões que compõem a cidade, 141 já foram inspecionados. Casas foram visitadas para verificar a existência de criadouros do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti, e ruas foram pulverizadas. Os trabalhos de prevenção na região deverão ser reforçados nos próximos dias. A equipe da Superintendência de Controles de Endemias (Sucem) vai organizar a pulverização com inseticida na cidade de Cardoso.
Falhas - "Sabíamos que mais cedo ou mais tarde a dengue hemorrágica chegaria ao Estado", admitiu o secretário.
Segundo ele, essa forma da doença - que pode levar à morte - já era aguardada em São Paulo desde 1995. Essa previsão era feita pela existência de três fatores de risco. "O Estado convive com a doença há 12 anos, já havia sido registrada a presença de dois subtipos de vírus transmissores e, além disso, havia casos notificados em grande número de municípios."
O superintendente da Sucem, José Carlos Seixes, acredita que o sistema de combate ao mosquito ainda está repleto de falhas. "Uma catástrofe ainda pode ocorrer", alertou.
Segundo ele, foram contratadas pessoas sem qualificação adequada e veículos usados para o controle dos criadouros nem sempre são usados para essa finalidade. "É preciso que os municípios aprimorem as suas campanhas e o trabalho para erradicar o problema."
No ano passado, foram registrados 10.629 casos de dengue em 102 municípios de São Paulo. Número muito superior ao de 1997, que foi de 2.040. Segundo Guedes, o aumento foi provocado pelo atraso nos programas de combate à doença.
"Houve demora na liberação de verbas de convênios", contou. Este ano, foram confirmados 202 casos. A grande preocupação atual é a Baixada Santista, que registrou um aumento significativo de casos em 1998. Foram 5.566 casos, contra 901 detectados no ano anterior.

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