Régis diz ter secretariado pronto e aceita conversar com Maluf
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sexta-feira, 24 de março de 2000
Por Alceu Luís Castilho 
São Paulo, 25 (AE) - O vice-prefeito Régis de Oliveira (PMN) tem prontos os nomes de todo o secretariado, caso assuma a Prefeitura esta semana, mas não sabe o que fazer com bandeiras do malufismo na administração, como o Sistema Integrado Municipal de Saúde (Sims) e o fura-fila. Ele disse que não sabe se é o fim da "era Maluf" na Prefeitura e aceita, num governo de "consenso", conversar com o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB). "Não para compor o secretariado", revelou. "Se for necessário para uma viabilidade política na Câmara, sim."
Régis falou hoje por quase duas horas, "em hipótese", sobre seu governo e uma candidatura à sucessão municipal. "Vamos conversar com o presidente da República, com o governador e com todos que possam ajudar São Paulo", disse, referindo-se à necessidade de renegociar a dívida com a União.
O vice aguarda ser notificado pela Câmara de que é de fato, salvo decisão judicial contrária, o prefeito de São Paulo. O presidente da Casa, Armando Mellão (PMDB), a quem solicitou a definição formal de sua posse na segunda-feira, foi outro político que Régis evitou criticar. "Não posso escolher", disse. "Ele é presidente da Câmara e por isso lhe devo respeito."
Régis disse que já tem os nomes do secretariado porque, como vice, precisa estar preparado "para qualquer eventualidade". Ele não viu contradição entre isso e o fato de ainda não ter definido planos para a administração. "Estava afastado da Prefeitura", afirmou, apesar de ter uma sala na Secretaria da Administração.
Mesmo sem tratar de medidas concretas, Régis anunciou a educação como "prioridade número 1" e prometeu abrir negociações com os perueiros, responsáveis por vários conflitos hoje na cidade. "Hoje temos uma administração solta."
"Amor" - O vice definiu a moralização como pilar da sua eventual gestão, mas descartou a hipótese de promover retaliações ao prefeito Celso Pitta (PTN), por ter perdido espaço na Prefeitura. "Não penso em fazer devassa nessa gestão." Ele citou uma frase de Ulysses Guimarães: "Política se faz com amor, não com ódio".
Régis prometeu "voltar a instalar" a Corregedoria do Município, ainda em funcionamento, e repetiu uma frase de Pitta: "As portas da Prefeitura estarão abertas para o Ministério Público e para a polícia." A postura com relação a indicações apresentadas por políticos para cargos também lembrou a de Pitta. "Não vejo problema em aceitar indicação política, desde que eu examine o currículo e a pessoa seja capacitada." A exemplo do prefeito, ele garantiu que não vai entregar a vereadores o controle das Administrações Regionais.
O vice disse que, quando assumir, a definição do secretariado deverá levar "três ou quatro dias". Quanto a outros postos-chave, a reportagem indagou sobre o diretor do Departamento de Materiais da Secretaria da Administração, Marcelo Daura, réu do frangogate, casado com uma sobrinha de Maluf. Daura resistiu a oito secretários e, segundo um deles, tem poderes maiores que os do titular da pasta. "Todos os cargos importantes serão trocados", prometeu.
O vice sugeriu a Mellão que, por força do artigo 58 da Lei Orgânica, haja um ato formal na Câmara, sem cerimônia, para que ele assuma. O Ministério Público considera o ato desnecessário, mas Régis alega que ainda há chance de Pitta ser reconduzido. "Seria ridículo assumir o cargo para perdê-lo na segunda-feira."
Régis descartou a hipótese de discutir a reeleição, mas não a de concorrer ao Senado. Seu assessor jurídico, Jaime Carozzi Aguiar, não despistou: "Ele é candidato potencial à Prefeitura, não tem sentido mais ser vice".
Segundo Régis, o PMN fez articulações para coalizão com os nanicos PHS, PRT, PGT e PT do B. "Os partidos grandes já têm candidatos próprios."


