São Paulo, 01 (AE) - Você sabe onde fica a sala do administrador? - perguntou a reportagem a um funcionário da Administração Regional do Butantã, assim que chegou ao local, na sexta-feira. - Qual deles? - Como assim, qual deles? - É que tem dois. Um que fica aqui e outro na cidade.
O administrador "que fica na regional" é Waldemar Moreno Rodrigues. Entre os problemas que enfrenta, desde fevereiro de 1997, estão ocupação irregular do solo, lixões clandestinos e barracas de frutas em locais públicos. A reportagem visitou vários desses locais na semana passada e ouviu denúncias que se assemelham às investigadas pelo Ministério Público Estadual e pela polícia. Rodrigues diz que 95% das irregularidades já motivaram procedimentos administrativos.
O administrador "que fica na cidade", segundo o funcionário, é o vereador Brasil Vita (PPB), que está há 40 anos na Câmara e tradicionalmente controla a regional, criada há 16 anos. O primeiro administrador foi seu irmão, Fiori Vita. Em 1996, ele foi flagrado atendendo eleitores no gabinete do administrador, Plínio Cimino, demitido em seguida pelo prefeito Paulo Maluf (PPB), nas vésperas de Vita ser eleito para o nono mandato consecutivo.
Rodrigues nega que tenha sido indicado pelo vereador. Vita, porém, garante que a indicação foi sua. "Se o povo não gosta do administrador, vem a mim e eu digo ao prefeito que ele não está funcionando", explica o autor da proposta de CPI que exclui prefeitos, secretários e vereadores da investigação sobre a máfia dos fiscais.
Para tentar provar que o vereador nunca teve poder em sua administração, Rodrigues diz que atende mais o vereador Vicente Cândido e o deputado estadual eleito Carlos Zarattini, ambos do PT, que o próprio Brasil Vita, de quem é amigo há décadas. A afirmação provoca risos em Zarattini. "Ele não atende porque é o administrador que vive indo até Vita, na Câmara Municipal", diz. O vereador afirma que Rodrigues passa em seu gabinete só para cumprimentá-lo.
Irregularidades - Enquanto a regional é disputada pelo Executivo e Legislativo, as situações irregulares vão de uma ponta a outra da região, que completa seu centenário este ano e faz divisa com Osasco. Na Avenida dos Tajurás, continuação da Avenida Cidade Jardim, são vários os imóveis ocupados por estabelecimentos comerciais. A área é estritamente residencial. Outros estabelecimentos estão em locais públicos com licenças a título precário, emitidas pela regional.
"O Brasil Vita prometeu-nos que em três semanas a avenida viraria corredor comercial e até agora nada", reclama o comerciante Tommy Pimentel, que mantém uma casa de bronzeamento artificial na avenida. Ele diz que já recebeu quatro multas da Prefeitura, mas só sairá do local se esse número se multiplicar. Diz que nunca recebeu proposta de caixinha nem pagaria. "Prefiro que fechem o negócio", diz.
Nas bancas de frutas das calçadas da Avenida do Rio Pequeno, porém, vários ambulantes, que não se identificaram, disseram que a coleta de dinheiro pelos fiscais da regional também ocorre, ainda que não tão frequentemente como na região de Pinheiros. "Agora está meio parada por causa dessa história das prisões", diz um deles. "Eles passam todas as semanas", afirma outro vendedor.
Outros problemas identificados pela reportagem ocorrem nas proximidades da Rodovia Raposo Tavares, como no km 16, onde há vários lixões e depósitos irregulares. Os moradores reclamam do lixo despejado por caminhões, que atinge córregos da região, e das queimadas. Para o deputado Zarattini, esses dados são a prova de que é necessária uma CPI ampla, que investigue todas as regionais.
Rodrigues diz que faz o possível: ele tem 19 fiscais para tomar conta dos 56 quilômetros quadrados da região onde moram 436 mil habitantes. "O ideal seria ter um grupo de fiscais para cada tipo de irregularidade", afirma. Ele garante ser favorável à proposta do prefeito CelsoPitta (PPB) de diminuir as atribuições das regionais. "Gostaria de ficar só com serviços e obras, com condições de trabalho e equipamentos."

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