São Paulo, 02 (AE) - A Secretaria das Administrações Regionais (SAR) determinou ao administrador regional de Santo Amaro, Marcos Roberto dos Santos, a abertura de averiguação preliminar sobre a suposta participação de funcionários da regional em esquema de cobrança de propinas no Largo 13. A decisão foi motivada pela reportagem de ontem no jornal "O Estado de S.Paulo", que flagrou a extorsão de camelôs por membros da principal associação de ambulantes da região.
Além da constatação de extorsão pela associação que representa os ambulantes na Prefeitura, a reportagem publicou a declaração de um ambulante - que não se identificou, com medo de represálias - que denuncia um acordo entre a associação e a regional para a cobrança de propinas. O promotor Roberto Porto, do Ministério Público Estadual, disse ainda que o Largo 13 é um dos locais da cidade onde, de acordo com várias denúncias, continua a cobrança de propinas, oito meses após o início das investigações sobre a máfia instalada em São Paulo.
Um dos principais acusados de extorquir camelôs no Largo 13, em Santo Amaro, Cristóvão da Silva, é ambulante no próprio local e filho do chefe de segurança da Associação dos Deficientes Físicos, Terceira Idade e Vendedores Ambulantes da Zona Sul e Adjacências (Adtiva). O vice-presidente da Adtiva, Ednaldo Pereira Costa, disse que, se há cobrança em nome da associação, a polícia deve punir os envolvidos. Ele não negou os vínculos com Cristóvão, que chegou a ser preso em flagrante pela polícia, há dois meses, no próprio prédio onde funciona a associação, por porte de armas.
"Ele não é sócio, mas frequenta a associação, aqui é um lugar livre, onde pode entrar todo mundo", disse. Costa admitiu a cobrança de R$ 20,00 mensais e R$ 20,00 semanais pela Adtiva. A segunda quantia seria para a manutenção dos 22 seguranças, entre eles o pai de Cristóvão. A reportagem teve acesso a um recibo que mostra que a verdadeira quantia exigida pelos "seguranças" é de R$ 35,00, conforme haviam denunciado os ambulantes. Outra irregularidade mediada pela Adtiva seria a intermediação da venda de pontos no largo.
Hoje, Cristóvão continuava circulando pelo Largo 13, onde mantém uma barraca. O delegado Wagner Giudice, que não atende repórteres por telefone, disse que não tinha conhecimento da nova denúncia. "Não leio o Estado", disse Giudice, responsável por 25 inquéritos sobre a máfia dos fiscais, entre eles o que investiga a prática de corrupção na regional de Santo Amaro.
O administrador regional disse que a averiguação preliminar tem um prazo de 20 dias para ser finalizada. A AR-Santo Amaro fez uma investigação semelhante sobre denúncia de envolvimento de fiscais da Prefeitura em corrupção na região da igreja onde atua o padre Marcelo, mas a conclusão foi a de que não houve envolvimento de funcionários da regional.

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