São Paulo, 21 (AE) - As duas vitórias de ontem (20) da bancada governista na Câmara - a não prorrogação da CPI e a derrota do impeachment - devem evitar que as investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais atinjam outras administrações regionais (AR) da cidade. Além das AR-Sé e AR-Penha, os parlamentares devem concluir as investigações sobre as regionais da Lapa e de Pirituba até 12 de junho. Caso não seja apresentado novo requerimento para a prorrogação das investigações, esse será o último dia de trabalho da comissão. Com isso, não seriam investigadas as regionais de Pinheiros, da Freguesia do à e da Vila Mariana, que eram controladas politicamente pelos vereadores Paulo Roberto Faria Lima (sem partido), Maria Helena (PL) e Bruno Féder (PTB). A oposição, entretanto, planeja reunir votos para aprovar no plenário da Casa a continuidade da CPI antes do prazo final.
Para o presidente da comissão, vereador José Eduardo Martins Cardozo (PT), com o fim das investigações, ganham o prefeito Celso Pitta (sem partido), o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) e "os envolvidos em corrupção que escapam das investigações da Câmara". O parlamentar acredita no rompimento entre Pitta e Maluf, mas também que eles estariam unidos para evitar as investigações e a formação de uma Comissão Processante para investigar irregularidades cometidas por Pitta. "O impeachment de Pitta não interessa ao Maluf e ao prefeito não interessa que ninguém seja investigado."
Pitta passou os dias que anteceram a votação de ontem afirmando que os interessados em seu afastamento eram todos aqueles que desejavam o fim das investigações. Ele comemorou a não-prorrogação da comissão que, segundo ele, "servia de palco para a oposição aparecer e fazer aquele tumulto todo". Para Cardozo, o tumulto ao qual se refere o prefeito é a dificuldade que ele tem em governar com as investigações em curso. "Em última instância, ele administra amparado pelo loteamento de seu governo e qualquer investigação prejudica sua base parlamentar." Com relação ao uso da CPI como palanque eleitoral
Cardozo afirmou que nunca pretendeu "galgar cargos públicos" com seu trabalho na comissão.
Ironia - O vereador Dalton Silvano (PSDB) também não gostou das declarações de Pitta sobre os trabalhos da comissão. O prefeito afirmou ontem (20) que a CPI nada acrescentou ao que havia sido apurado pelo Ministério Público Estadual (MPE) e pela Polícia Civil (PC). Hoje, Silvano apresentou um requerimento para que os depoimentos colhidos pelo MP e pela PC fossem acrescentados aos relatórios da CPI como prova emprestada.
O vereador Brasil Vita (PPB) imediatamente pediu que essas provas fossem estudadas pela comissão antes de ser anexadas aos relatórios. Ele acredita que é preciso uma triagem para avaliar cada depoimento."Houve gente que chegou aqui e negou tudo", disse durante a sessão de hoje da comissão. Silvano não perdeu a oportunidade de ironizar a declaração de Vita, líder do prefeito na Câmara. "Fico feliz com sua observação, porque a bancada governista e o próprio prefeito disseram que a CPI nada acrescentou."

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