Araraquara (SP), 16 (AE) - O Estado de São Paulo terá barreiras interestaduais e barreiras móveis na região nobre da citricultura, entre Ribeirão Preto, Araraquara e Bebedouro, que concentra 78,6% do total produzido no Estado. As barreiras serão adotadas a partir do dia 1º de maio e visam impedir que caminhões carregados com frutas tragam o cancro cítrico para os pomares paulistas. Esta foi uma das cinco medidas básicas de combate à doença anunciadas hoje pelo secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, João Carlos Meirelles.
As medidas deverão ser tomadas antes do início da safra de laranja este ano, em julho, para impedir a propagação do cancro, que está aumentando em progressão geométrica no Estado, segundo levantamento feito pelo Fundo Paulista de Defesa de Citricultura (Fundecitrus).
Além da criação das barreiras, o secretário inclui em seu pacote de medidas o treinamento de 60 mil pragueiros, que serão responsáveis por identificar todos os tipos de doenças nos pomares. A informação foi antecipada ontem (15) pela AGÒNCIA ESTADO.
A criação de barreiras era a medida mais aguardada pelos citricultores, e foi anunciada pelo secretário como sendo o início de uma "Guerra Santa", segundo definiu. "A partir de hoje estamos declarando a guerra santa contra o cancro cítrico. Não queria usar poder de polícia para conter essa doença, para que isso não lembre um ato da ditadura, mas como não há outro jeito, que assim seja", declarou ele, exaltado, durante a reunião com os produtores da região.
As barreiras, segundo explicou o diretor da Coordenadoria Fitossanitária da Secretaria da Agricultura, Júlio Pompei, serão uma retomada das bases instaladas na campanha da febre aftosa. Desta maneira, existirão 15 barreiras móveis, responsáveis por realizar 120 blitze por mês durante a safra, 11 barreiras fixas na divisa com o Rio de Janeiro, oito com o Mato Grosso do Sul, oito que estão sendo remodeladas na fronteira com o Paraná e outras seis na divisa com Minas Gerais.
Fiscalização - Os pragueiros serão recrutados entre os colhedores de laranja ou poderão ser contratados diretamente pelos produtores. O treinamento vai ocorrer por conta do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), com auxílio do Fundecitrus.
Cada pragueiro será responsável por uma área de 200 hectares, o que corresponde a observar a evolução de aproximadamente 3.250 pés de laranja durante a safra. Hoje, existem no Estado apenas 5 mil pragueiros, segundo informou o Fundecitrus.
O objetivo da secretaria ao treinar os pragueiros, segundo Meirelles é ampliar a responsabilidade do produtor, que hoje é responsável pela autoinspeção de seu pomar, mas na maioria das vezes não a realiza. "Colocar em risco a propriedade do vizinho e, por consequência, a produção de laranja de todo o Estado, é um acinte contra o direito de cidadania dos demais produtores", afirmou o secretário.

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