Brasília, 25 (AE) - O presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Reginaldo de Castro, divulgou agora há pouco nota à imprensa criticando tanto o suposto envolvimento do presidente Fernando Henrique Cardoso no episódio em que teria havido favorecimento a determinados grupos no processo de privatização da empresa Telecomunicações Brasileiras (Telebrás) como o fato de a denúncia ser fruto de gravação clandestina de conversas telefônicas. "Diante de tais revelações, o presidente tem o dever de prestar esclarecimentos à Nação", porque "a omissão favorece a construção de um ambiente de suspeita e desconfiança, ingredientes que, sem dúvida, desservem a democracia". Para o presidente da OAB, "não menos preocupante é constatar que, cada vez mais, se consolida no Brasil o uso de provas obtidas ilicitamente", uma "prática típica dos regimes totalitários". Segundo a nota de Castro, "o teor das fitas (gravadas) revela sobretudo falta de profissionalismo na condução do processo de privatização", mas "é indispensável ouvir os envolvidos para que se possa fazer um juízo de valor com adequado embasamento jurídico". O presidente da OAB afirma ainda que a susposta "exclusão (do processo de privatização) de grupos nocivos ao interesse público poderia ser alcançada por um rigoroso processo de pré-qualificação, que afastaria os aventureiros". Ainda na crítica ao "grampo" telefônico, Castro diz que a OAB "repudia com rigor a gravação clandestina das fitas ora divulgadas" e afirma que "o processo político brasileiro não pode ser conduzido por interesses clandestinos, que servem à estratégia dos porões, a exemplo do SNI (Serviço Nacional de Informações), cujos serviços, ao que parece, não foram extintos, mas apenas privatizados". O líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado (CE) referindo-se há pouco ao senador Eduardo Suplicy (PT-SP), disse que a tentativa de montar uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar o processo de privatização da Telebrás "é apenas mais um gesto político". Suplicy, em pronunciamento no Senado, apelou para que os senadores assinassem requerimento de uma CPI mista do Congresso para apurar o processo de privatização da Telebrás. Machado repudiou, em discurso no plenário do Senado, a insinuação de que Fernando Henrique tenha tomado partido em favor do grupo Oportunity no processo de privatização da Telebrás. Ele disse que a reportagem do jornal "Folha de S. Paulo" não traz fato novo e, pelo contrário, "as gravações mostram a preocupação do governo em conseguir maior número de participantes para o leilão de privatização". Machado disse que a intenção do governo era de que o bem público fosse vendido pelo maior valor e que participassem empresas de qualidade. O senador disse que não identificou nas degravações reproduzidas pelo jornal a ação do governo para evitar a participação de concorrentes no leilão. Ele ressaltou que o contrato entre a Previ e o Oportunity foi assinado 60 dias antes do grampo. O senador observou ainda que Fernando Henrique, nas conversas, foi informado de como "estava andando o leilão" e que grave é o fato de conversas do presidente, autoridade máxima da Nação, ter sido grampeadas. "Não vi nenhum ato de protesto da oposição em relação a isto", disse. A entrevista do ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga
que anteriormente seria realizada às 16 horas, no Palácio do Planalto, foi transferida para o Ministério das Comunicações, às 16h30. Veiga, o ministro da Ciência e Tecnologia, Luiz Carlos Bresser Pereira, e o secretário de Comunicação da Presidência da República, Andrea Matarazzo, deixaram há pouco o Palácio da Alvorada, sem dar entrevista. Fernando Henrique, com o qual se encontraram, ainda está no Alvorada.

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