Sid Sauer
Dezoito obras em estradas rurais, num total de 196 quilômetros, estão paralisadas desde o ano passado na região de Campo Mourão. São obras de pedras irregulares e de asfaltamento, através do programa Caminhos da Educação e do Saber, do governo do Estado. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) alega falta de recursos e prevê que as obras devem ser retomadas até o final do ano. Os prefeitos, porém, já começam a se irritar com a demora.
‘‘Somos cobrados pela comunidade’’, queixa-se o prefeito de Mamborê (36 km a sudoeste de Campo Mourão), Ricardo Radomski (PMDB), que chegou a fazer festa quando os trabalhos começaram. As obras de asfaltamento entre Mamborê e o distrito de Guarani foram interrompidas com pouco mais de um quilômetro pronto. ‘‘A terraplanagem que estava pronta já foi perdida’’, diz o prefeito.
Em Campo Mourão, um trecho de 17,1 quilômetros, da cidade até a Fazenda Boa Esperança, também está paralisado. Cerca de 10 quilômetros foram asfaltados, mas as obras já demonstram sinais de deteriorização. Em Corumbataí do Sul (51 km a leste de Capo Mourão), o prefeito Jair Cândido de Almeida (PSDB), resolveu bancar com dinheiro da prefeitura a continuação de um trecho e 1,2 quilômetro de pedras irregulares.
‘‘Estamos bancando só para não perdermos o convênio e na esperança que o governo do Estado reassuma o compromisso dele’’, explica Almeida. ‘‘Mas a obra está capenga’’, admite. Para concluir o trecho entre Corumbataí e Água do Meio, a prefeitura paga o salário dos 10 operários. A parte da empreiteira depende da liberação de recursos do Estado. O município tem outro trecho, até Guaraci, de 8,8 quilômetros, que ainda nem começou.
Em Barbosa Ferraz (74 km a leste de Campo Mourão), a prefeita Elza Marques Gonçalves (sem partido) também espera pela retomada do asfalto no trecho de 3,5 quilômetros até o distrito de Pocinho e de outros 3,5 quilômetros de pedras irregulares até o distrito de Paraíso do Sul. Na estrada para Paraíso, as obras pararam com apenas 1,5 quilômetro construído. ‘‘O governo diz que a conclusão é prioridade, mas não diz quando vai liberar os recursos’’, frisa.
Desvio A mesma coisa diz o prefeito de Luiziana (30 km ao sul de Campo Mourão), Wilson Tureck (PFL). ‘‘Estamos cobrando, mas ninguém promete nada’’. O município tem duas obras paralisadas. O trecho Luiziana-Valinhos, de 5,7 quilômetros, chegou a ser terraplanado, mas o asfalto nunca chegou. ‘‘É uma obra esperada desde 1996’’, conta Tureck. Já o assentamento de pedras irregulares até Campina do Amoral (2,9 quilômetros) seguem em ritmo lento.
Em Ubiratã (96 km a sudoeste de Campo Mourão), o antigo sonho do asfalto até o distrito de Yolanda também teve que ser adiado. Os trabalhos começaram em 98, mas pararam logo em seguida, para desespero do prefeito Tomaz Izidro de Lima (PTB). Para piorar, as obras pela metade prejudicaram os agricultores na hora de transportar a colheita. ‘‘A prefeitura foi cobrada e teve que providenciar desvios’’, disse uma assessora do prefeito.
‘‘A empreiteira percebeu que não iria receber e parou os trabalhos na terraplanagem’’, diz o prefeito de Iretama (70 km ao sul de Campo Mourão), Same Saab (PSDB). O município espera um trecho de 10,1 quilômetros de pedras irregulares entre Água Torta e Água Fria. As obras também nem começaram entre Boa Esperança (56 km a oeste de Campo Mourão) e o distrito de Paranaguaçu, num total de 9 quilômetros. ‘‘Foi uma promessa feita em palanque, mas nem a ordem de serviço foi assinada’’, reclama o prefeito Cláudio Gotardo (PSDB).

mockup